Torcedores assistem à vitória do Brasil nos telões do Maracanã, antes do jogo entre Colômbia e Uruguai

28/06/2014 - 16:49
Na partida de número 50 dos uruguaios em Copas, torcedores esperam que 'fantasma' da edição de 1950 do torneio dê uma ajuda. Brasileiro que acompanhou primeira Copa no país acredita que não haverá tristeza futebolística maior que no episódio do Maracanazo

Fotos: Gabriel Fialho/ Portal da Copa#

A Seleção Brasileira esteve no Maracanã, neste sábado (28.05). Pelo menos nos quatro telões do estádio carioca, que transmitiram a partida contra o Chile, disputada em Belo Horizonte. O objetivo foi o de atrair os torcedores e evitar que as pessoas chegassem em cima da hora do duelo entre Colômbia e Uruguai, que se inicia às 17h no Rio de Janeiro.

Foi o caso de Mirian e Juliana Airosa, mãe e filha, que preferiram antecipar a ida, sem perder nenhum lance do jogo do Brasil. “Escolhemos ver a partida aqui porque ficamos com medo de não dar tempo de chegar depois. É interessante assistir do telão, só falta mesmo a narração”, comentou a dona de casa Mirian. “Muito especial estar vendo a Seleção aqui, espero que voltem para estarem no campo”, completou Juliana. A equipe canarinho só irá atuar na arena caso chegue à decisão da Copa.

A estudante Alyne Pavão também seguiu as recomendações dos organizadores do Mundial e foi mais cedo para o estádio, acompanhada pelo namorado e empresário Robson Laroca. “É melhor que estar em casa, mas queria mesmo estar lá no Mineirão”, disse Alyne.

Uruguaios e colombianos também aproveitaram a antecipação do horário da abertura dos portões para conhecerem melhor o Maracanã e acompanharem a decisão de quem seria o adversário de um deles na próxima fase.

“Vim mais cedo para evitar filas e esperar para ver os três gols que a Colômbia vai meter no Uruguai e vamos jogar contra o Brasil, que vai ser muito complicado nas quartas”, projetou Diego Posada, comerciante colombiano.

“Queria conhecer o estádio e ver quem seria nosso adversário. Nesta hora a camisa pesa e o Brasil tem o apoio da torcida, apesar de que a Seleção atual não é tão forte como em outros anos e depende muito do Neymar”, analisou Sebastián Patman, empresário uruguaio.

Ele espera que o famoso “fantasma” da Copa de 1950 apareça hoje para dar uma força para a Celeste. “O fantasma ainda não encontrei, mas vamos ver se ele aparece diante da Colômbia. Hoje é jogo de número 50 do Uruguai em Copas, justamente no Maracanã. Todo jogo de Copa é difícil e nesta etapa é matar ou morrer, não há margem para erros. Estou confiante que o Uruguai ganha”, disse.

Lembranças de 1950

O aposentado Oto Madsen, 80 anos, aproveitou para assistir ao jogo do Brasil no Maracanã, já que em 1950 seu pai não o deixou ir à decisão contra o Uruguai. “Eu só não vim ver a final, porque estava numa cidade mineira que chama Itajubá, minha mãe tinha uns parentes lá. Na madrugada do jogo eu até tinha carona para vir ao Rio. Sempre gostei muito de futebol, mas meu pai era dinamarquês e não gostava muito. Ele achava que era perigoso, porque o Maracanã estava recém construído e dizia ‘o cimento está muito novo e vai ter umas 200 mil pessoas, pode até cair’. Ele não deixou e até chorei”, lembra.

Para ele, foi injusto culpar somente o goleiro Barbosa pela derrota de virada em casa. “Eu acho que foi o fracasso de várias coisas que deu a vitória ao Uruguai. Culpam muito o goleiro, mas acho que não foi só culpa dele. Culpo mais o treinador. O Flavio Costa era treinador do Vasco, a Seleção tinha uns sete ou oito jogadores do Vasco e o Nilton Santos era reserva”.

Madsen também culpa as atitudes do técnico pelo lance que resultou no gol de Ghiggia e que selou a virada do Uruguai. “Como o Flavio Costa era meio ditador, ele alertou o Bigode, que era o lateral e que ia marcar o Ghiggia: ‘olha, se você fizer pênalti e o Brasil perder a Copa você vai ver’. Então, quando o Ghiggia passou pelo Bigode naquele lance, normalmente ele faria a falta, mas ficou com isso na cabeça e aconteceu o gol”, comenta.

Outro motivo apontado como causa da derrota foi o clima de “já ganhou” que tomou conta do ambiente da Seleção Brasileira e do país antes do jogo decisivo. “O time era muito bom, mas o clima de ‘já ganhou’ influenciou. Na véspera da decisão, os políticos foram até a concentração no estádio São Januário, tiraram fotos, fizeram jantar e diziam ‘quero tirar foto com os campeões do mundo’, tinha 11 jipes enfeitados para o desfile dos campeões, e isso atrapalhou”.

Caso ocorra uma história semelhante nesta Copa, Madsen não acredita que a tragédia no país tenha a mesma dimensão daquela época, principalmente porque o Brasil já conquistou cinco Mundiais. “Eu acho que não vai ter tanta tristeza, porque já ganhamos cinco vezes, então, não se compara com aquela época. Aquilo foi uma coisa incrível. Se perder a gente sentirá, mas não será igual. Outra derrota que sentimos muito foi a de 1982, acho que depois daquela de 50 essa foi a pior”.

Gabriel Fialho - Portal da Copa

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