Madeira certificada, carbono neutralizado e elevadores inteligentes: Arena Pantanal

22/02/2012 - 13:02
Conheça as principais ações de preocupação ambiental adotadas na construção do estádio de Cuiabá para a Copa do Mundo

Foto: Secopa-MT/Divulgação#Caminhões usados na obra são lavados. Água residual é tratada e reaproveitadaRedução de consumo energético, arborização do entorno, utilização racional da água e coleta seletiva de materiais. São múltiplas as  iniciativas de preservação ambiental executadas na construção da Arena Pantanal.

A arena, palco de quatro jogos da Copa do Mundo da FIFA 2014, busca a certificação LEED - selo que designa as construções sustentáveis, de acordo com os critérios de racionalização de recursos de energia e água. A certificação “verde” é conferida pela Green Building Council, através do LEED – Leadership in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio Ambiente).

O certificado assegura que a obra usa água de forma responsável, é energeticamente eficiente e só utiliza materiais que não espalham "pegadas de carbono".

Nenhum detrito da demolição do antigo Estádio José Fragelli foi descartado, o que evitou a poluição de outras áreas. Todo o material de alvenaria foi reciclado e adicionado para aterragem do solo. Metais também foram reciclados em siderúrgicas e reutilizados como insumo na obra.

Foto: Secopa/MT/Divulgação#Estação para captar o esgoto de banheiros e sedimentos: lençol freático preservado
Estação de tratamento interna
A madeira no canteiro de obras é objeto de atenção especial. Toda ela tem origem controlada e é certificada pelos órgãos de controle ambiental. Mesmo assim, a preocupação é usar o mínimo possível de madeira, o que vem sendo obtido usando pré-moldados com estruturas metálicas em quase todo o projeto.

O projeto de consumo e reuso da água inclui a captação de água pluvial, possibilitando redução de 40% no consumo dentro da obra. Boa parte da água consumida no canteiro de obra é produto de reuso. São dois tanques com capacidade para 2.500 litros. Ali é feita a decantação e filtragem da água usada no processo. Essa água é usada em parte na cura do concreto e na lavagem dos caminhões betoneiras e volta novamente aos tanques de decantação para novo ciclo.

Uma miniestação de efluentes foi construída no canteiro para captar o esgoto originário dos banheiros e de outras atividades desenvolvidas na obra. A intenção é que a construção não prejudique o sistema hídrico e o lençol freático.

Drenagem natural
Para amenizar o calor das pavimentações cobertas e das áreas relacionadas, serão instalados pisos e coberturas que atenderão aos parâmetros LEED. As paredes da Arena serão pintadas com tintas livres de componentes orgânicos voláteis e cerâmicas ou porcelanatos com algum grau de material reciclado em sua composição.

Para a área externa, como a praça de acesso, será utilizado piso em placas de concreto com SRI (Solar Reflectance Index) 29, e alguns pisos permeáveis, tais como concrebrita, seixos e cobertura vegetal, evitando desta forma ilhas de calor e contribuindo com a drenagem natural das águas de chuva.

A arena terá 12 elevadores. Neles estão previstos comandos eletrônicos e sensores de presença para desligar as luzes quando parados. Além disso, serão programados para economizar os percursos a serem percorridos.

O paisagismo será realizado com espécies nativas, exemplares da Mata do Cerrado e Floresta Amazônica, uma vez que a região de Cuiabá possui essas espécies de vegetação, eliminando assim a necessidade de irrigação artificial.

Foto: Divulgação#Carbono neutralizado
Cuiabá deve ser uma das primeiras cidades-sede a neutralizar todo o carbono emitido na construção do novo estádio. O modelo de pagamento por serviços ambientais levará a quase três mil famílias ribeirinhas a oportunidade de se adequar às leis de proteção ao meio-ambiente, e através da preservação da mata ciliar obter uma nova fonte de renda. As comunidades de nove municípios plantarão 1,4 milhão de árvores em pontos onde há degradação, ao longo das margens dos rios Cuiabá, Paraguai e São Lourenço, formadores do Pantanal.

O crédito de carbono gerado pelas novas árvores será adquirido dos moradores pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo Fifa 2014 - Secopa, que lançou em junho de 2010 o Projeto Copa Verde, iniciativa sócio-ambiental em parceria com o Instituto Ação Verde.

“Nos próximos três anos serão destinados R$ 3,5 milhões para o projeto, dos quais R$ 710 mil serão pagos diretamente para os moradores das localidades pela venda do crédito de carbono”, explica o secretário da Copa, Eder Moraes. Para cada tonelada do elemento químico emitido, são necessárias sete novas árvores para a compensação.

Cálculo de emissões
O superintendente do Instituto Ação Verde, Paulo Borges, explica que a construção da arena emitirá cerca de 711 mil toneladas de carbono equivalente. “Hoje já é possível calcular qual é a emissão de uma obra ou até mesmo de um indivíduo. Em média, as árvores plantadas seqüestram individualmente 138 quilos de carbono durante o período de 30 anos. Plantaremos mil hectares, sendo que cada hectare sequestra cerca de 12 toneladas de carbono ao ano”, explica.

Borges destaca que o modelo ajuda a resolver quatro problemas simultaneamente: a recuperação do leito dos rios, a regularização ambiental dos sítios à beira do rio, o fortalecimento da consciência ecológica e a criação de uma nova fonte de renda.

O projeto começou a ser desenvolvido em junho na comunidade de Barranco Alto, em Santo Antonio de Leverger.  Cada morador ribeirinho ou pequeno produtor recebeu as mudas e toda a assistência técnica gratuitamente por meio do Instituto.

Educação ambiental
Além do auxílio no plantio, os ribeirinhos recebem aulas de educação ambiental. O pagamento pela venda do carbono será repassado em parcelas anuais às comunidades ou individualmente aos criadores. O grupo pode também apresentar um projeto de utilidade pública ao MPE para liberação do montante total.

“Eles podem se unir, por exemplo, e pedir a construção de um posto de Saúde para a localidade”, diz Borges. A comercialização do crédito de carbono é realizada por meio da Plataforma de Negociações de Bens e Serviços Ambientais e Ecossistemas do Instituto, onde os grupos são cadastrados e os estoques de carbono registrados.

“Cerca de 90% das casas dos ribeirinhos estão em Área de Preservação Permanente (APP) , mas eles vivem ali há centenas de anos. A intenção do projeto é adequar essas comunidades à lei ambiental sem destruir as raízes culturais”, disse o secretário Eder Moraes.

Fonte: Secopa - MT

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