Sindicato que representa aeroportuários anuncia paralisação de 48 horas

18/10/2011 - 18:22
Categoria vai parar as atividades nos aeroportos de Campinas, Guarulhos e Brasília. Ministro da Secretaria de Aviação Civil apresentou ao TCU, na última quinta, as condições para concessão dos três terminais

Tomas Faquini#Brasília será um dos terminais que passarão a ser administrados pela iniciativa privadaOs aeroportuários de Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Brasília (DF) decidiram fazer uma paralisação de 48 horas, a partir da meia-noite de quarta-feira (19.10), em protesto contra o processo de concessão dos terminais. O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Marcelo Tavares, disse que a greve poderá significar transtornos aos passageiros, pois o sindicato espera a adesão de 90% dos trabalhadores dos três aeroportos. “Apenas os trabalhadores em cargo de confiança não deverão participar da greve”, disse. Os setores de operações, administração e de carga são potencialmente os mais atingidos.

O edital de concessão dos três aeroportos deverá ser publicado em novembro, pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A partir de então, o prazo para o leilão será de 45 dias. O leilão ocorrerá de forma simultânea na Bolsa de Valores de São Paulo. Não será permitido que um mesmo licitante adquira a concessão de mais de um aeroporto. O concessionário que ofertar o maior lance, será o vencedor da concorrência.

Na última quinta-feira, 13.10, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, apresentou ao Tribunal de Contas da União (TCU) o estudo econômico-financeiro que determina valores e tempo de concessão previstos para os aeroportos de Viracopos, Guarulhos e Brasília. O documento traz a previsão de modelagem da concessão, receita tarifária e não tarifária, custos operacionais e investimentos nos projetos de ampliação dos terminais, que passarão a ser administrados pela iniciativa privada.

A proposta é que o prazo de concessão para o aeroporto de Viracopos, em Campinas-SP, seja de 30 anos, enquanto o de Brasília seja fixado em 25 anos e o de Guarulhos-SP, em 20 anos. O lance mínimo para que uma empresa passe a administrar o terminal brasiliense é de R$ 75 milhões; em Guarulhos é de R$ 2,29 bilhões e em Campinas, R$ 521 milhões. “É uma proposta equilibrada. A intenção é melhorar a gestão dos aeroportos e fazer com que os serviços se acelerem”, disse Wagner Bittencourt. De acordo com ele, os estudos garantirão que os projetos atendam ao interesse do governo e do setor público. “A contribuição do tribunal tem melhorado os nossos esforços em capacitar os aeroportos para a Copa. Nós só conseguimos entregar esse estudo graças ao trabalho conjunto de todos os envolvidos”, avaliou.

O presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, destacou que a análise dos estudos vai contribuir para as obras de infraestrutura dos aeroportos para a Copa de 2014 e que o diálogo entre o governo e o tribunal é importante para a transparência dos investimentos. “Vamos mobilizar nossas equipes para analisar essa documentação o mais rápido possível. O TCU tem atuado com prontidão nessa área de infraestrutura para contribuir de forma construtiva para as obras do governo”, ressaltou. O órgão vai analisar o primeiro estágio das concessões, que envolve a viabilidade técnica, econômico-financeira e ambiental da concessão. Após a apreciação do TCU, será publicado o edital definitivo para a concessão. O leilão público dos três aeroportos ocorrerá de forma simultânea na Bolsa de Valores de São Paulo. Não será permitido que um mesmo licitante adquira a concessão de mais de um aeroporto.

TIRA-DÚVIDAS

Por que o governo resolveu fazer a concessão?

Nos últimos anos houve um crescimento muito forte da demanda pelo uso dos serviços dos aeroportos no Brasil. A média mundial de crescimento no movimento de passageiros foi de 40%, de 2003 a 2010. No Brasil, o aumento foi de 118% no mesmo período. Entre 2009 e 2010, a variação foi de 6,6% no mundo e de 21,3% no Brasil. Esse aumento faz com que haja uma necessidade crescente de investimentos para a manutenção da qualidade no atendimento nos aeroportos e para a adoção de padrões internacionais de operação. Assim, o governo brasileiro avalia que, como em outros segmentos da economia, a parceria com a iniciativa privada vai viabilizar com mais rapidez os investimentos, a troca de experiências e a absorção das melhores práticas no setor. 

Qual a diferença entre concessão e privatização?

Diferentemente da privatização, a concessão é regulada por meio de contrato que prevê a devolução ao Estado dos bens e serviços ao fim do período contratual ou a qualquer momento por interesse público. Na privatização ocorre a venda dos bens e a transferência definitiva da atividade econômica. Além disso, é importante ressaltar que, no caso da concessão dos aeroportos, a Infraero, empresa estatal, permanecerá com até 49% do capital.

O governo não tinha uma posição contrária a processos desse tipo? 

Os aeroportos estão sendo concedidos. Nos últimos oito anos, o governo brasileiro já concedeu ferrovias, rodovias e energia elétrica.  Em 22 de agosto de 2011, foi concedido o primeiro aeroporto federal brasileiro, o de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. 

Por que os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos foram os escolhidos para serem concedidos? 

São os aeroportos que concentram a maior demanda de passageiros e de carga, por consequência, os que precisam de mais investimentos. Para se ter uma ideia, os três aeroportos juntos operam 30% dos passageiros, 57% das cargas e 19% das aeronaves do sistema brasileiro. 

ETAPAS DO PROCESSO:

Como será realizado o processo de concessão? 

A ANAC inicia o processo por meio da publicação de minuta de edital e de contrato, que ficarão em consulta pública pelo período de um mês. A Consulta Pública está prevista em lei e têm o objetivo de permitir o levantamento de questionamentos e sugestões para o aperfeiçoamento das condições previstas no edital e contrato de concessões.

Como será realizado o leilão?

Depois do processo de Consulta Pública, esclarecimentos e alterações necessárias, e de submissão ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação e orientações, publica-se o edital definitivo para a concessão, que será realizada por meio de leilão público. O leilão dos três aeroportos ocorrerá de forma simultânea na Bolsa de Valores de São Paulo. Não será permitido que um mesmo licitante adquira a concessão de mais de um aeroporto.

Com que objetivo esse modelo de leilão foi escolhido?

A idéia é estimular a concorrência entre os licitantes e permitir, posteriormente, a comparação de padrões operacionais entre aeroportos, melhorando a prestação de serviço aos usuários. 

Para onde vão os recursos arrecadados com o leilão? 

Para o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). O FNAC é vinculado à SAC e tem como objetivo destinar recursos ao sistema da aviação civil, sendo aplicado em projetos de desenvolvimento e fomento da infraestrutura aeroportuária e aeronáutica civil. 

Quem vencerá o leilão?  

Vencerá a empresa que oferecer um maior valor de contribuição ao sistema aeroportuário, ou seja, pagar o maior lance acima do valor mínimo estipulado pelo governo.

Empresas estrangeiras podem participar do leilão?  

Sim. Mas normalmente, como em outras concessões realizadas no Brasil, as empresas estrangeiras se associam com empresas nacionais para participar do leilão.

Uma mesma empresa poderá levar mais de um aeroporto no leilão? 

Não. As empresas vão poder concorrer no leilão dos três aeroportos. Mas só vão poder levar um deles.

MUDANÇAS QUE A CONCESSÃO VAI TRAZER

O preço das passagens aéreas vai subir? 

O objetivo da concessão é a ampliar a infraestrutura aeroportuária, o que aumentará a oferta de vôos pelas companhias aéreas e promoverá uma maior competição. Assim, o governo espera que, como vem ocorrendo nos últimos anos, o preço das passagens continue caindo no Brasil.

O processo de concessão vai atrasar as obras da Copa do Mundo? 

Ao contrário, um dos objetivos das concessões é justamente acelerar a execução das obras necessárias ao atendimento da demanda presente e futura, onde se inclui grandes eventos como a Copa do Mundo.

Como o governo vai assegurar que as novas concessionárias realizem as obras a tempo da Copa? 

Os contratos de concessão prevêem multas no caso de não atendimento da demanda em todo o período do contrato incluindo o período da Copa. 

O que vai acontecer após o fim da concessão? 

Os aeroportos voltam a ser controlados pelo Estado, podendo ser concedidos em novos processos. 

OS AEROPORTOS DEPOIS DE CONCEDIDOS

Por que o governo acredita que o serviço para o usuário do aeroporto vai melhorar? 

Em decorrência da ampliação da infraestrutura aeroportuária e do estabelecimento de padrões internacionais de qualidade expressos nos contratos de concessão como, por exemplo, níveis de conforto e segurança.

Como fica a segurança dos voos após a concessão?

Os padrões de segurança nos aeroportos são definidos e fiscalizados pela ANAC, segundo critérios internacionais. O controle do espaço aéreo permanecerá sob a responsabilidade do Estado, por meio do Comando da Aeronáutica. 

Quem vai fiscalizar os aeroportos concedidos? 

A ANAC.

O que o operador privado vai pagar ao governo? 

Vai pagar uma contribuição ao sistema, que será realizada mediante o pagamento anual de parcelas fixas e variáveis sobre as receitas geradas pelos aeroportos. Os recursos serão destinados ao FNAC. 

Para onde vão os recursos dos aluguéis das lojas e dos estacionamentos dos aeroportos concedidos? 

Esses recursos compõem a receita bruta dos concessionários e serão utilizados para investimentos e custeio dos aeroportos, bem como para o pagamento dos impostos e dividendos. Parte dessas receitas será também destinada ao FNAC.

O operador vai poder construir, por exemplo, um hotel na área do aeroporto? E no fim, para quem vai ficar essa obra? 

Sim. Por compor o objeto da concessão ao final do período retorna ao Estado.

TARIFAS

Será mantida a estrutura tarifária atual?

Será criada a tarifa de conexão para todo o sistema, a ser paga pelas empresas aéreas, com o objetivo de gerar recursos para a infraestrutura em aeroportos com grande volume de conexões, como é o caso de Brasília, Guarulhos e Congonhas. As demais tarifas serão mantidas na mesma estrutura e no mesmo valor, de forma que não haverá aumento de tarifas para os passageiros.

Quais são essas tarifas? Quem paga por elas? 

Embarque, paga pelo passageiro. Pouso, permanência, conexão, pagas pelas companhias aéreas. E armazenagem e capatazia, que incidem sobre proprietários de cargas.

Quem vai arrecadar as tarifas aeroportuárias? 

Serão arrecadadas pelas concessionárias.

O governo vai controlar o preço das tarifas aeroportuárias? 

Sim. Estão estabelecidos tetos tarifários que serão fiscalizados pela ANAC.

O governo vai controlar o preço das passagens aéreas? 

Os preços permanecem como no sistema atual: livres, regulados pela concorrência, pelo mercado.

Por que o governo não fez o leilão exigindo que as empresas cobrassem as menores tarifas pelo uso dos aeroportos? Isso não reduziria o preço ao consumidor? 

Em todo o mundo, os leilões de concessão de aeroportos são realizados com base na maior parcela de contribuição das receitas geradas pelos aeroportos. Isso se deve à necessidade de grandes e constantes investimentos no setor para a manutenção da qualidade dos serviços. No caso do Brasil, isso se reforça pela grande extensão do território e a existência de aeroportos que não são autossustentáveis. No modelo aeroportuário, um leilão por menor tarifa não garantiria redução no preço das passagens para o consumidor, nem recursos para os investimentos.

A INFRAERO E A CONCESSÃO

Qual o papel da Infraero hoje?

A Infraero é a operadora de 66 aeroportos que concentram 97% do movimento de passageiros no Brasil. Em 2010, foram processados 155,4 milhões de passageiros.

Como ficará a empresa após a concessão dos três aeroportos? 

A Infraero continuará operando os demais aeroportos com 67% do movimento de passageiros. Além disso, a Infraero será acionista das três concessões, com até 49% do capital social.

A Infraero terá poder nas decisões das suas “sócias”? 

A Infraero participará da governança dos aeroportos na proporção de sua participação acionária nas concessionárias, com poder de decisão em temas relevantes, que serão estabelecidos em acordos de acionistas firmados entre as partes. O que fica a cargo da concessionária é o procedimento operacional do aeroporto.

A Infraero vai perder receitas?

A perda da parcela de receitas dos aeroportos concedidos será mais que compensada pelo recebimento de dividendos decorrentes da participação acionária nas concessionárias e de recursos do FNAC para investimentos nos demais aeroportos.

O que vai acontecer com as obras que a Infraero está realizando nesses aeroportos? 

As obras que estão em curso continuarão a ser executadas pela Infraero. Após a concessão, as obras novas serão de responsabilidade das concessionárias.

Como fica a situação dos funcionários da Infraero que trabalham nos aeroportos concedidos, eles serão demitidos? 

Não. Os empregados não serão demitidos. Aqueles que não quiserem trabalhar nas concessionárias, a seu critério, poderão continuar na Infraero. O governo e os sindicatos estão negociando uma ampla rede de benefícios e garantias aos trabalhadores da empresa de modo que o processo seja vantajoso para todos.

Como será o dia seguinte após a concessão? O usuário não será prejudicado?

A operação no dia seguinte será realizada mediante plano de transição, constante no contrato de concessão, que garantirá o adequado funcionamento dos aeroportos.

Como vão ficar os contratos da Infraero com as empresas que prestam serviços nos aeroportos concedidos? 

Inicialmente, todos os contratos serão assumidos pelas concessionárias e, ao longo do tempo, os contratos poderão até ser ajustados para melhor atender os novos procedimentos operacionais a serem implantados nos aeroportos.

APÓS A CONCESSÃO

Por que a concessão dos três aeroportos vai ajudar a desenvolver a aviação regional? 

Os recursos gerados a partir da concessão serão destinados ao Fundo Nacional de Aviação Civil. Os recursos serão aplicados na expansão, no aperfeiçoamento e no desenvolvimento do sistema de aviação regional, que é parte relevante da política governamental para o setor.

Quais serão os próximos aeroportos concedidos? 

Ainda não há uma definição de governo em relação aos próximos aeroportos a serem concedidos.

O processo de concessão vai incentivar a indústria nacional de aviões e outros bens? 

O fortalecimento e o desenvolvimento da aviação regional vão gerar um impacto positivo na indústria nacional de aviões e de equipamentos. O governo acredita que serão geradas diversas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras. A SAC considera como estratégica a implementação de uma política de adensamento da cadeia produtiva nacional. Por essa razão, tem mantido conversas freqüentes com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e com o BNDES, visando à estruturação de programas específicos de financiamento para esse segmento.

Com informações da Agência Brasil

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