Rivais só em campo, Brasil e Alemanha triplicam volume comercial em dez anos

07/07/2014 - 23:33
Alemães, cujas empresas empregam 250 mil pessoas no Brasil, desafiam anfitriões por uma vaga na final da Copa

Brasil e Alemanha definem nesta terça-feira (08.07), às 17h, a primeira seleção finalista da Copa do Mundo de 2014. A rivalidade, porém, deverá ficar dentro do campo do Mineirão, onde será disputada a partida. Fora dele, os dois países colhem os frutos de uma relação centenária, mas que se intensificou nos últimos anos.

A Alemanha é um dos maiores investidores estrangeiros no país. O volume de comércio entre as duas nações praticamente triplicou na última década, passando de US$ 7,3 bilhões, em 2003, para US$ 21,7 bilhões no ano passado.

Segundo a Câmara Brasil-Alemanha, entidade que atua para fomentar as relações entre os dois países, existem aproximadamente 1.400 empresas de origem alemã no país. Elas empregam cerca de 250 mil pessoas e são responsáveis por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial brasileiro. A região metropolitana de São Paulo sedia 900 dessas companhias, a maior concentração de subsidiárias germânicas em todo o mundo.

A balança comercial, porém, ainda pende favorável aos europeus, que importam principalmente matérias-primas, como minérios e café, e exportam produtos industrializados, máquinas e automóveis à frente. Um saldo positivo de US$ 8,6 bilhões.

“Reafirmei a determinação do Brasil e do Mercosul em avançar nas negociações do Acordo de Associação Comercial com a União Europeia, que nos permitirá ampliar e diversificar nosso intercâmbio comercial. Queremos também aumentar a participação de bens de maior valor agregado na pauta de exportações brasileiras para a Alemanha”, disse a presidenta Dilma Rousseff durante encontro com a chanceler alemã Angela Merkel, que veio ao Brasil acompanhar o início da Copa do Mundo em junho.

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Roberto Stuckert Filho/PR#Angela Merkel se encontrou com Dilma Rousseff em junho e assistiu ao primeiro jogo da Alemanha na Copa (vitória por 4 x 0 sobre Portugal)

Segundo o diretor de comunicação Mercosul da Câmara, Eckart Michael Pohl, os principais produtos exportados pelos alemães, atualmente, são medicamentos para a medicina humana e veterinária, instrumentos e aparelhos de medida e verificação, bombas e compressores, entre outros. “Mas entendemos que, futuramente, as áreas de infraestrutura e sua modernização, tecnologias para medicina e saúde, agrobusiness, transportes, eficiência energética e outros negócios relacionados a tecnologias ambientais em geral irão ganhar mais importância”, declarou.

Relacionamento estável

“O Brasil é um país muito receptivo”, afirmou Erik Boettcher, diretor de administração e controladoria da Bayer, química que chegou ao país há 118 anos. “A empresa acreditou no potencial do país muito cedo, ainda no século retrasado, e temos o compromisso de investir por uma presença cada vez mais sólida”.

A Bayer apresentou um crescimento de 24% no Brasil em 2013, o quarto maior mercado do grupo no mundo. A empresa investiu cerca de R$ 200 milhões no ano passado e de sua fábrica de hormônios sólidos, em São Paulo, saíram cerca de dois bilhões de pílulas exportadas para 42 países da América Latina e Ásia.

“As relações entre Brasil e Alemanha têm um fundamento muito estável, cresceram de forma sustentável”, avaliou Ingo Dietz, diretor de relações institucionais da Allianz, maior seguradora da Europa. “O país vai abrir muitas possibilidades nos próximos anos e a gente tem que trabalhar juntos por um futuro melhor”.

O Brasil responde por 61% de todo o faturamento da Allianz na América Latina e a companhia anunciou, em 2013, o maior acordo de naming rights no país em um negócio de R$ 300 milhões para batizar o estádio do Palmeiras pelos próximos 20 anos – a arena, na Zona Oeste de São Paulo, deve ser entregue no segundo semestre.

Nos gramados

Se no comércio a situação ainda é favorável à Alemanha, dentro de campo a situação se inverte. O histórico entre as duas das mais vitoriosas seleções de todos os tempos é amplamente favorável ao Brasil, que venceu os germânicos em 12 encontros – foram apenas quatro derrotas e cinco empates.

Em Copas do Mundo foi apenas uma partida, mas de lembrança bastante doce para os brasileiros. Em 2002, o time então comandado por Luiz Felipe Scolari, que voltou ao banco da equipe num Mundial neste ano, bateu a Alemanha por 2 x 0 em Yokohama, no Japão, para ficar com a taça pela quinta vez.

Brasil e Alemanha já estiveram em sete decisões de Copa cada um, cinco títulos sul-americanos e três europeus. Dos 19 Mundiais disputados até hoje, 15 tiveram brasileiros ou alemães na final (apenas os de 1930, 34, 38, 78, 2006 e 2010 foram decididos sem as equipes), situação que irá se repetir em 2014, já que uma das duas certamente estará no Rio de Janeiro no dia 13 de julho – a outra terá que se contentar em buscar a terceira colocação, no sábado (12), em Brasília.

“Eu digo que tenho oito títulos”, afirmou Boettcher, que nasceu em São Paulo, mas passou grande parte da vida na Alemanha. “Não sofro se uma ou outra perde. Fico preocupado se a Argentina passar e for campeã”, brincou. “Vou torcer para o segundo time mais brasileiro da Copa”, riu Dietz, alemão que vive há três anos no país. Ele contou ter encontrado os jogadores alemães no embarque para o Brasil, no aeroporto de Frankfurt. “Consegui conversar com alguns e eles disseram que era um privilégio jogar um Mundial, mas que isso era maior ainda por ser no Brasil”.

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Ursos no Rio de Janeiro

A Copa do Mundo foi o gancho para apresentar um dos símbolos de Berlim, a capital alemã, aos milhares de turistas que passam pela orla da praia de Copacabana, no Rio. Ali eles podem ver a exposição Buddy Bears – A Arte da Tolerância, promovida pelo Consulado Geral da Alemanha na cidade. As esculturas têm dois metros de altura e foram pintadas por artistas de vários países para promover a integração cultural entre os povos. As peças ficarão expostas até o dia 20 de julho.

Leonardo Lourenço, do Portal da Copa em São Paulo

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