Publicação resgata histórias e contextos da Copa de 1962, no Chile. Baixe a versão em PDF

25/06/2012 - 13:06
No livro Chile 1962 - 50 anos, Antonio Carlos Napoleão recupera detalhes do torneio que representou o bicampeonato mundial ao Brasil

Jornalista, historiador de futebol e gerente de memória e acervo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Antonio Carlos Napoleão reuniu em uma publicação lançada nesta segunda-feira, 25.06, o contexto histórico e as histórias esportivas da Copa do Mundo de 1962, disputada no Chile. O torneio, que significou o bicampeonato mundial da Seleção Brasileira, completa 50 anos em 2012. Na final chilena, Brasil x Tchecoslováquia mediram forças, num jogo que terminou 3 x 1 para a equipe nacional. O livro, produzido pelo Ministério do Esporte, foi editado em português, inglês, espanhol e tcheco e resgata fotos e personagens da organização e da realização daquele Mundial.

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Na introdução da publicação, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, comenta que "a forma de arte que o jogador brasileiro concebeu com a bola nos pés fez dos estádios chilenos uma grande galeria a céu aberto. A palavra “pintura” ainda não era usada pelos comentaristas, mas a relação que viria a se estabelecer entre o futebol e a criatividade seria perfeita, aplicada a lances mágicos desenhados com astúcia e genialidade, ao rés ou acima da grama, como os dribles vaivéns de Garrincha, a maestria de Didi, os desarmes elegantes de Djalma, as evoluções de Nílton Santos pela esquerda e as finalizações de Vavá e Amarildo".

O embaixador da República Tcheca no Brasil, Ivan Jancárek, em outro texto introdutório, explicou que a geração vice-campeã foi uma das mais brilhantes do futebol tcheco, e afirmou esperar "assistir a um futebol brilhante, dinâmico e atraente para os espectadores na Copa do Mundo de 2014 contando com a presença da nossa seleção. Por parte dos torcedores tchecos, a repetição da Final da Copa de 1962 contra o Brasil seria um ótimo resultado".

Confira a entrevista com Antonio Carlos Napoleão:

Como começaram as pesquisas para o livro que comemora o bicampeonato?
Na verdade, eu já tinha a maioria do material formatado, pois já escrevi outros livros sobre Copas do Mundo e Seleções. Nesta obra lapidei as minhas pesquisas e busquei informações mais específicas à respeito do Chile.

Você começa com a escolha do Chile como sede. Cita que havia um clamor por uma competição na América do Sul e a disputa acabou entre chilenos e argentinos. O que foi determinante para a escolha que acabou acontecendo?
O clamor, sem sombra de dúvidas, já que duas edições consecutivas do torneio haviam sido disputadas na Europa. Quanto à escolha dos chilenos, se deve ao carisma de Carlos Dittborn, grande dirigente do futebol chileno, que também era um grande articulador.

Temos, entre as classificadas na fase de grupos em 1962, seleções que representavam países que não existem mais, ou que eram potências do futebol na época, mas que hoje perderam espaço. Quem eram os favoritos? Como era a disputa de forças no futebol da época?
Em todas as Copas sempre aparecem favoritos e azarões. Os favoritos de 1962 eram Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra, Brasil, URSS e Uruguai. Mas destas, apenas o Brasil avançou na competição, chegou à final e conquistou o título. Num mundial geralmente as favoritas são as de sempre: Argentina, Brasil, Alemanha, Itália, Inglaterra, Holanda, Espanha. Sempre uma delas é a finalista do torneio.

O Brasil vinha como campeão de 1958, mas não teve vida fácil. Quais eram as expectativas internas e externas em relação ao potencial do time canarinho?
As expectativas eram boas, já que o método de preparação seguiu à risca o da conquista anterior. O fator idade, que era uma preocupação de parte da imprensa e da torcida, não foi levado em consideração, já que os jogadores consideravam este fator como maturidade e experiência.

Quais os principais percalços enfrentados pelo Brasil na trajetória do bi? E qual foi o diferencial da conquista?
Sem dúvida a contusão de Pelé e a expulsão de Garrincha na semifinal foram os maiores percalços. Quanto ao diferencial, ele tem nome: Mané Garrincha.

O Garrincha leva o crédito como principal jogador brasileiro, mas como foi a participação dos outros jogadores?
Com a contusão do Pelé, o Garrincha chamou para si a responsabilidade e fez de tudo. Lógico, todos os outros foram fundamentais dentro das suas atribuições, principalmente o Amarildo, que substituiu o Pelé e cumpriu muito bem o seu papel.

E em relação ao adversário da final: era esperada a presença da Tchecoslováquia?
O Brasil já havia enfrentado os tchecos na primeira fase e sabia bem a sua maneira de atuar. A Tchecoslováquia não realizou uma campanha como a do Brasil, mas chegou à final com todos os méritos graças a grande atuação de jogadores como Masopust.

Quais o maiores craques no campeonato e como se portaram?
Sem dúvida os grandes nomes da competição que tiveram atuações acima da média foram: Garrincha, Amarildo, Didi, Djalma Santos, Nilton Santos, Vavá, Masopust, Florian Albert, Bobby Charlton, Uwe Seeler, Jorge Toro, Leonel Sánchez.

Portal da Copa

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