Evento-teste para a Copa na Arena da Amazônia reúne mais de 40 mil espectadores

04/04/2014 - 01:05
Resende e Vasco empataram em 0 x 0 com casa cheia. Diversas áreas foram testadas no estádio

Fotos: Abelardo Mendes Jr./Portal da Copa#Claudio Gomes e o filho, Claudio Augusto, chegaram cedo e não tiveram dificuldades no acesso ao estádio. Para eles, só faltou o gol do VascoNão foi nesta quinta-feira (03.04) que houve a primeira vitória na Arena da Amazônia, em Manaus. A partida entre Vasco e Resende, válida pela primeira fase da Copa do Brasil, terminou com placar de 0 x 0. No entanto, os fãs de futebol que estiveram na Arena da Amazônia, em Manaus, participaram de um grande treinamento para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O jogo serviu como evento-teste para o Mundial, com avaliação in loco de diversos aspectos feita pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa.

Esta foi a primeira partida da arena com utilização do anel superior da arquibancada. No dia 9 de março, o empate por 2 x 2 entre Nacional-AM e Remo-PA contou com 20 mil pessoas, pela Copa Verde. Seis dias depois, 11 mil torcedores presenciaram mais um empate, desta vez por 0 x 0, entre Fast Clube e Princesa dos Solimões, pelo Campeonato Amazonense.

Se dentro de campo o trio ofensivo vascaíno - Bernardo, Thales e Montoya – não foi efetivo, nas arquibancadas o clima foi festivo. A Arena Amazônia recebeu 40.189 pessoas (público pagante de 38.189). A renda foi de R$ 2.122.210. Durante os 90 minutos, os torcedores incentivaram o Vasco. Nem mesmo dois ataques perigosos do Resende aos 30 minutos do segundo tempo calaram os gritos.

O servidor público municipal Cláudio Gomes foi um desses apoiadores cruzmaltinos. “Sou vascaíno e vim aqui hoje por três motivos: torcer pelo meu time, conhecer a nova Arena da Amazônia e trazer meu filho para seu primeiro jogo em um estádio de futebol”, contou. Cláudio Augusto, de 8 anos, estava radiante, mas não pôde gritar gol do Vasco. “Gostei muito de ver o jogo ao vivo”, disse o garoto. Os dois contaram que chegaram por volta das 18h30 e não encontraram dificuldades para se aproximar do estádio e nem nas catracas.

Avaliação

O evento transcorreu com poucos incidentes, como acúmulo de torcedores em uma das entradas – corrigido após a abertura de uma catraca a mais; duas pessoas com pequenos ferimentos na mão (por conta de um junção de corrimãos sem proteção adequada); e invasão de alguns torcedores no gramado ao fim da partida.

#Tiago Paes, do COL (E), afirmou que há pontos a serem corrigidos, e que a função dos eventos-teste é exatamente apontar esses ajustesA altura do som ambiente antes da partida e no intervalo não agradou a muitos torcedores. “A seleção musical está boa, mas o som está muito alto”, reclamou o taxista Luciano Amaral. “Nem eu, que sou fã de Pink Floyd, gostei de ouvir Wish You Were Here tão estridente”, brincou Amaral.

“Como é o primeiro evento-teste oficial, não esperávamos que tudo saísse perfeito. Há pontos a serem corrigidos e eles serão corrigidos – esse é o intuito principal dos testes”, afirmou o gerente-geral de Integração Operacional do COL, Tiago Paes, em entrevista coletiva concedida ao fim da partida. “De forma geral, ficamos muito satisfeitos aqui em Manaus”, acrescentou.

“Foi nosso primeiro teste com a utilização da arquibancada superior, com casa cheia. É uma quinta-feira, dia útil, e o deslocamento dos torcedores se deu na hora do rush. Os arredores foram fechados para o trânsito e imaginávamos que haveria grandes congestionamentos – mas eles foram menores do que pensávamos”, afirmou Miguel Capobiango, coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa) do estado do Amazonas. “Estamos em busca do meio termo entre o conforto do espectador que quer ver seu jogo e o trânsito para as outras pessoas que querem seguir em seus transportes sem engarrafamentos na cidade. Nosso desafio agora é aprimorar cada vez mais as equipes operacionais do estádio”, explicou Capobiango.

Segundo o balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), não foram registradas ocorrências policiais no estádio e na região do entorno, que compreende as avenidas Constantino Nery, Lourenço Braga e Pedro Teixeira, durante todo o dia.

A operação de segurança para o jogo  contou com mais de dois mil servidores das esferas estadual, federal e municipal. Somente do sistema de Segurança Pública do Governo do Estado, foram empregados 1,4 mil policiais civis, militares, bombeiros e agentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Além integração entre as forças de segurança, Centros Integrados de Comando e Controle (CICC) foram montados na Arena e no Ciops/SSP. “Tanto no eixo inteligência, como segurança pública, órgãos federais, estaduais e municipais, como também as forças armadas estiveram integradas. Mesmo que nós não víssemos aqui efetivamente forças federais das forças armadas, eles estavam prontos para atuar em caso de necessidade”, destacou  o secretário de Grandes Eventos da SSP-AM, coronel Dan Câmara.

Testes do Comitê Organizador Local

Sete pontos foram testados pelo COL nesta quinta-feira na Arena da Amazônia. A seguir, alguns trechos da entrevista de Tiago Paes sobre cada um deles

Limpeza
“Há muito a ser feito, tanto em quantitativo de pessoal quanto em técnicas de limpeza e coletas de resíduos. O importante é que o trabalho já está iniciado”.

Transporte
“O desembarque das equipes não aparece para o grande público, mas é  de fundamental importância para a competição. Isso foi um sucesso aqui em Manaus. Havia um probleminha na rampa de acesso dos ônibus, mas já foi corrigido durante a última semana”.

Serviços ao Espectador
“Os orientadores de público prestam um serviço fundamental na Copa do Mundo. Aqui em Manaus não testamos os assentos numerados, porém testamos toda a orientação e informação ao espectador. Tivemos aproximadamente 200 voluntários e eles se saíram muito bem. Tiveram um treinamento há dois dias, conheceram bem a Arena da Amazônia e deram um grande passo para a Copa do Mundo”.

Tecnologia
“Foram testes no sistema de som e imagem do estádio. Pudemos ver que esses sistemas ainda não estão totalmente regulados. Há ajustes a serem feitos, como a melhor distribuição do som e equalização. Também haverá um ajuste na iluminação do gramado. Tudo será acertado rapidamente. Testamos também os rádios de comunicação utilizado entre a equipe de organização da Copa – muitas vezes estamos no subsolo do estádio e precisamos falar com alguém na arquibancada”.

Competições
“O próprio Adilson Batista falou em sua entrevista sobre o campo. Aqui no estádio hoje, ninguém melhor que ele para falar”, disse Paes, referindo-se aos elogios feitos pelo técnico do Vasco da Gama. “Deu para os jogadores trabalharem direito. A bola correu normalmente. Os gramados dos novos estádios estão padronizados e são de boa qualidade. Achei esse aqui de Manaus um belo de um campo”, afirmou Adilson, minutos antes.

Segurança
“Pudemos ver claramente o sucesso na operação. As escadas ficaram ‘limpas’, sem pessoas sentando nas escadas. Ainda analisaremos as imagens sobre as invasões de campo para saber onde ocorreu a falha e descobrir quem não estava atento. Isso não ocorrerá em jogos da Copa do Mundo”. A operação contou com cerca de 600 stewards (seguranças particulares), em trabalho integrado com as forças públicas de segurança.

Na Copa do Mundo, a primeira partida no estádio será no dia 14 de junho, com  Inglaterra e Itália frente a frente, na estréia do Grupo D. “Esse jogo não será mais importante que os outros. Nas 64 partidas da Copa do Mundo haverá o mesmo esquema de segurança, independente de quem esteja jogando”, afirmou Tiago Paes.

Além do clássico europeu, três outros jogos estão marcados para Manaus: Camarões x Croácia (18 de junho), Estados Unidos x Portugal (22 de junho) e Suíça x Honduras (25 de junho).

Abelardo Mendes Jr - Portal da Copa

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