Pesquisadores do Projeto Andar de Novo compartilham expectativas sobre o pontapé inicial da Copa

15/01/2014 - 10:30
Cientistas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal contam as motivações que os fizeram investir suas forças no projeto que fará um paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo

Os pesquisadores do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra são fãs de futebol e por isso estão ansiosos para saber se o Brasil vai estrear bem contra a Croácia, em 12 de junho, na Arena Corinthians, em São Paulo. Mas nada se compara à expectativa em relação ao que vai acontecer minutos antes de a bola rolar. A caminhada de um paciente paraplégico com o auxílio de um exoesqueleto para dar o pontapé inicial do Mundial será um marco do projeto ao qual dedicam esforços dia e noite.

“Hoje dou dedicação exclusiva ao projeto Andar de Novo. Não tem fim de semana, não tem feriado, Natal, Ano Novo. Estamos dando o máximo para que tudo aconteça da forma mais tranquila possível. Os dedos estão cruzados, mas o que vale é o trabalho, não é sorte”, disse Fabrício Brasil, 33 anos, um dos pesquisadores do instituto.

Ele se formou em Engenharia Elétrica, fez mestrado em Engenharia Mecânica e é doutor em Neurociência. No projeto, é um dos responsáveis por captar os sinais cerebrais e codificá-los, para que o exoesqueleto que será usado pelos pacientes paraplégicos possa entender os comandos. 

“Fiquei muito contente em ser convidado para participar. Quando era criança, pensei em fazer Medicina. Depois desisti porque quis fazer Engenharia. Mas hoje posso juntar os dois. Tento fazer com que meu conhecimento de Engenharia possa ser aplicado na Medicina e, principalmente, ajudar alguém que precisa, um paciente que não pode andar há 15 ou 20 anos”, explicou Brasil.

Fotos: Danilo Borges/Portal da Copa#Fabrício Brasil, Renan Moioli e Solaiman Shokur fazem parte da equipe do Projeto Andar de Novo

Ciência de ponta

Outro pesquisador do projeto, Renan Moioli vê na demonstração da abertura da Copa uma oportunidade de colocar um ponto final no pensamento de que o Brasil não é capaz de produzir ciência de ponta. “Vai servir para dar um ponto final para todas aquelas pessoas que ainda têm dúvidas de que o Brasil é um país com profissionais e com povo capazes de desenvolver o que quer que seja em qualquer área de atuação. Esse projeto mostra que, com esforço, vamos ser capazes de desenvolver, conjuntamente com potências do mundo, algo que vai ficar marcado na história”, disse o cientista de 30 anos.

Moioli também é engenheiro eletricista, com mestrado em Engenharia de Computação e doutorado em Neurociência Computacional e Robótica. A contribuição dele ao Andar de Novo é na parte de controle e de programação. O que move o pesquisador no dia a dia é uma motivação tripla.

“Eu fico muito feliz pela ciência em si. É um projeto fantástico, que envolve diversas universidades no mundo inteiro e pessoas que são referência na área. Também pelo lado profissional, porque tenho a oportunidade de interagir com um time fantástico de jovens pesquisadores. E por último – e mais importante – tem o aspecto social, porque a gente faz ciência pensando na contribuição que a gente pode dar”, explicou.

Só o começo

O pesquisador afegão Solaiman Shokur, de 34 anos, enfatizou a simbologia do chute inicial para o projeto Andar de Novo. “O pontapé inicial é uma ótima imagem, porque não é só o chute inicial da Copa, é o chute inicial de um projeto longo. Para nós será uma conquista, mas o começo de algo maior. Espero que vá continuar por tempo suficiente para que não apenas uma, mas milhares de pessoas voltem a andar nos próximos anos”, disse.

Shokur já morou em várias partes do mundo, e boa parte dessa trajetória se deve à carreira científica. Formado em Engenharia da Computação, com mestrado em Robótica e doutorado em Neuroengenharia, ele já estudou e trabalhou nos Estados Unidos e na Europa. Na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, integrou a equipe que desenvolveu a veste que transmite feedback tátil ao paciente. Mas foi a infância na Itália que determinou o time para o qual vai torcer durante o Mundial de 2014.

“Eu sou muito fã de futebol e vou torcer para a Itália na Copa. E por ser fã, fazer parte de algo tão emocionante é uma chance única. Em um laboratório, você pode fazer uma demonstração para cinco pessoas, para 20 no máximo. Agora a gente tem a chance de mostrar algo no qual estamos trabalhando por tanto tempo para muita gente, potencialmente para bilhões de pessoas. Isso obviamente é algo muito, muito especial”, finalizou Shokur.

Leia também:

» Pontapé inicial da Copa: Projeto Andar de Novo entra na fase de testes com pacientes brasileiros

Veja o vídeo com a entrevista com Miguel Nicolelis, coordenador do Projeto Andar de Novo:

Carol Delmazo – Portal da Copa

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