Para Ronaldo, Brasil está entre as cinco melhores do mundo

16/04/2012 - 11:20
Em entrevista ao site da FIFA, ex-jogador e membro do Conselho Administrativo do Comitê Organizador Local afirmou que ainda há tempo para o país se preparar e sair campeão de 2014

Aos 35 anos, Ronaldo Nazário de Lima dispensa apresentações. São as conquistas e troféus que falam pelo "Fenômeno", maior goleador da história da Copa do Mundo FIFA Brasil, torneio que ele venceu em 1994 e 2002. Com três prêmios de Jogador do Ano da FIFA e duas Bolas de Ouro da revista France Football, Ronaldo superou diversas lesões no joelho para escrever o nome na história do futebol mundial.

» Entrevista em vídeo- Ronaldo: Romário foi o mais decisivo com quem joguei

Integrante do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, o implacável artilheiro que defendeu grandes clubes como Cruzeiro, PSV, Barcelona, ​​Real Madrid, Milan, Internazionale e Corinthians reuniu-se com o site da FIFA para conversar sobre a carreira como jogador, as dificuldades enfrentadas pela seleção comandada por Mano Menezes e as chances do Brasil em 2014. “Ainda há tempo para melhorar e ser campeão”, diz.

Como integrante do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo da FIFA, o que você espera do torneio?
Estamos muito orgulhosos de receber a Copa do Mundo no Brasil. Vamos ter uma grande oportunidade de crescimento, o que é o mais importante para o povo em geral, porque haverá muito investimento em infraestrutura, aeroportos, estradas, hospitais e hotéis. Este legado, que ficará para a vida toda, só uma Copa do Mundo pode deixar.

Como você analisa a Seleção Brasileira para o torneio?
Houve uma mudança de geração. A Seleção ainda não está jogando o seu melhor futebol, e acho que vai demorar a encontrá-lo. Mas há tempo até 2014 para conseguir uma boa continuidade, ser competitivo e poder ser campeão.

Neymar, Pato e Ganso parecem ser os três jogadores de maior destaque da nova geração. O que você acha deles?
São três talentos brasileiros muito jovens que se destacam nos seus clubes. Acho que o mais talentoso é o Neymar, que, com apenas 20 anos, tem uma habilidade incrível. Ele marca muitos gols e conquistou o Brasil. A experiência internacional que teve contra o Barcelona não foi boa, mas certamente foi um bom aprendizado. O Pato já demonstrou na Europa o talento que tem, e o Ganso também é muito bom, mas é necessário ter cuidado com as lesões.

Você acha que ainda há espaço para jogadores mais experientes, como Ronaldinho e Kaká?
Eles são jogadores importantes, é claro. Com relação à função em campo, vai depender do momento e de poderem chegar à Copa do Mundo jogando o seu melhor futebol. Mas eles também têm um papel importante fora de campo. A experiência deles será fundamental dentro de um plantel tão jovem.

Em que posição você acha que o Brasil se encontra em comparação com as melhores seleções do planeta?
Não estamos no pódio, mas acho que nos encontramos entre as cinco melhores seleções do mundo. E isso que estamos jogando discretamente. Nenhuma mudança é fácil, e os jovens ainda precisam amadurecer. Não há motivo para desespero. Eles só precisam de tempo para os resultados aparecerem.

Se você fosse falar de um “novo Ronaldo”, quem seria?
Leandro Damião, do Inter de Porto Alegre. Ele é alto, forte, ótimo goleador, sabe cabecear e tem habilidade com os dois pés. Vai desempenhar um papel importante em 2014.

Vamos falar da sua carreira em particular. Você jogou no Brasil, Espanha e Itália. Qual país tem os torcedores mais apaixonados?
Acho que os três países são doentes pelo futebol, mas de maneiras diferentes. No Brasil, os estádios são muito antigos e muitos torcedores precisam torcer de pé, pulando e suando. E também é muito quente, não é formal como na Europa. O ambiente é mais apaixonado. Na Europa, apesar de ser mais frio, as pessoas também se fazem muito presentes, especialmente nos clássicos, quando o espetáculo é muito bonito.

Pela sua experiência, como você compara o futebol europeu ao brasileiro?
O futebol europeu continua sendo mais rápido, mais competitivo e mais disputado que o brasileiro. Nós ainda temos uma cultura de futebol mais lento e cadenciado. Precisamos entender que o futebol mudou. Acho que a Europa é o lugar onde se joga melhor. No entanto, após a Copa do Mundo, acredito que, com os novos estádios e outras estruturas, a mudança também vai ocorrer no Brasil.

Você torce por alguma das equipes em que já atuou?
Guardo com muito carinho as lembranças da minha passagem pelo Real Madrid. Acho que foi o melhor momento da minha carreira. Também gostei muito da Inter. Fiquei fã da equipe e da cidade de Milão. Fiz muitos amigos e vivi muito bem em todos os lugares por onde passei.

Falando da sua carreira, qual foi a importância de ter feito parte do plantel nos Estados Unidos em 1994 com apenas 17 anos?
Foi muito importante. Ter visto Romário, Bebeto, jogadores desse calibre, foi decisivo para o meu futuro. Aprender com isso, prestar atenção aos detalhes, como eles treinavam, como se concentravam... O Romário me mandava buscar as chuteiras dele, o café, como se eu fosse um juvenil. Mas sempre com respeito, pois aquela era a hierarquia do grupo.

Quatro anos mais tarde, você participou ativamente, mas perdeu a final contra o país anfitrião. Que sensações ficaram daquela experiência?
As lembranças que tenho de 1998 são muito boas. A Copa do Mundo foi espetacular até a decisão, quando jogamos realmente mal contra a França. Ainda assim, fico com o ambiente. Naquela partida tentei jogar bem, todos nós tentamos, mas jogar uma final de Copa do Mundo contra o anfitrião é muito difícil, e muito mais contra o Zidane em uma noite inspirada. Depois, quando jogamos juntos, ele ficava sempre zombando de mim. É claro que me vinguei em 2002, quando ganhamos e eles foram eliminados na primeira fase.

Como foi para você aquela Copa do Mundo da FIFA?
Como eu tinha me lesionado, não se sabia se eu teria condições. Mas, desde que comecei a jogar os amistosos, soube que faria uma grande Copa do Mundo. E também formávamos uma excelente equipe, muito sólida, muito unida e que acabou sendo muito eficaz. Foi a melhor seleção brasileira em que joguei. Em todas as linhas tínhamos qualidade de sobra. E essa é a minha maior lembrança. Ganhar uma Copa do Mundo é indescritível.

E nos dias de hoje, qual é o time que você mais gosta de ver?
Sou "merengue" e gosto muito de como o Real Madrid está jogando. Mas não dá para deixar de falar no Barcelona, que é um timaço. Talvez não faça coisas espetaculares, mas faz tudo parecer muito simples. Todos os jogadores sabem o que fazem, a cada momento, em cada setor, a capacidade de ficar com a bola no pé, a paciência para chegar à meta contrária... Dá para ver o grande trabalho feito pelo Guardiola. Este Barça é uma das melhores equipes que já vi nos meus 35 anos de vida. É duro admitir, sendo madridista, mas mesmo assim acho que podemos tirar alguns títulos deles neste ano.

Vendo o Barça jogar, você se imagina voltando a entrar em campo?
Não, não (risos)! Aproveitei a minha época e agora estou gostando muito de ser torcedor.

Para concluir, vamos propor uma brincadeira. Se você tivesse de formar uma seleção brasileira de todos os tempos, quem escolheria?
É difícil, mas iria com Taffarel, Cafu, Aldair, Lúcio e Roberto Carlos; Junior, Zico e Rivelino; Pelé, Romário... E eu, é claro. Uma equipe muito ofensiva! Todo mundo ao ataque!

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Fonte: FIFA.com

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