México e Costa Rica se cercam de história e conforto para treinos em Santos

06/06/2014 - 18:36
Seleções terão boa estrutura à disposição na cidade, que promete grande recepção a jogadores e turistas

Amarrar as chuteiras ao lado do armário de Pelé, no vestiário onde o Rei do futebol cumpria seus ritos finais antes de subir ao gramado. Ou então convidar os companheiros para uma partida de sinuca, na mesma mesa onde Neymar desafiava seus amigos durante a concentração. No que depender de inspiração, torcedores mexicanos e costarriquenhos terão agradáveis surpresas com suas seleções durante a Copa do Mundo no Brasil. As duas equipes estarão cercadas de parte importante da história do futebol  em Santos, onde ficarão hospedadas durante o torneio que começa no dia 12 de junho. Mas não só isso: haverá também conforto e uma estrutura de primeira à disposição de atletas e comissões técnicas.

O México, rival brasileiro na segunda rodada da primeira fase, escolheu o CT Rei Pelé, do Santos Futebol Clube, como base de treinamentos. O local onde o time realizará suas atividades é relativamente novo: foi inaugurado em 2005 numa área de 40 mil metros quadrados próxima à entrada da cidade.

Ali os jogadores comandados pelo técnico Miguel Herrera poderão usufruir de uma das mais elogiadas instalações de um clube de futebol no país. O vestiário é amplo e confortável: são 36 armários, quatro banheiras de hidromassagem e uma piscina spa. A sala de musculação é bem equipada e está integrada ao Cepraf (Centro de Excelência em Prevenção e Recuperação de Atletas de Futebol).

Dos três campos do local, o México definiu a utilização de apenas um, que vem sendo acompanhado cuidadosamente nos últimos dias. A mesma atenção tem recebido o gramado da Vila Belmiro, o lendário estádio onde o Santos manda seus jogos, e que será a casa da Costa Rica durante a Copa.

Centro de Treinamento do México - Santos

Centro de Treinamento do México - Santos

“A gente está fazendo a manutenção, cortando a grama de dois em dois dias para manter a altura ideal. Fazemos também a adubação uma vez por semana ou a cada quinze dias e molhamos muito para evitar amarelar o campo”, explica o auxiliar de manutenção do gramado, Guilherme Alves. Ele atua tanto na Vila Belmiro como no CT Rei Pelé.

Com a baixa nos termômetros nos últimos dias no estado de São Paulo, os campos passaram por um processo de semeadura com uma grama mais adaptada ao inverno. Segundo Alves, tudo estará em ordem para receber os jogadores. “Vamos deixar no esquema para eles. É legal pensar que pessoas de outros países vão estar aqui. Dá muito orgulho do nosso trabalho”.

Assim como no CT Rei Pelé, não foram necessárias grandes mudanças na Vila Belmiro para acolher os costarriquenhos. Ali, a seleção utilizará o vestiário principal do estádio, com banheira, área de recuperação e de aquecimento. Só não poderão descobrir o que se esconde no armário de Pelé, sempre fechado.

» Mais sobre a seleção do México

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Ligação histórica

O México se sentirá acolhido pelos torcedores santistas enquanto estiver na cidade, acredita o historiador Guilherme Guarche, que trabalha no Memorial das Conquistas do Santos. Tudo graças a Pelé e à sensacional campanha do tricampeonato mundial do Brasil na Copa de 1970, disputada na terra dos astecas.

Para Guarche, a empatia criada com mexicanos é recíproca na região. Ele inclusive cita dois exemplos. “O Pelé, na flor da idade, foi eleito o melhor daquela Copa, jogou tudo o que tinha direito. Tanto é que na Baixada Santista foi inaugurada uma praça com o nome de Guadalajara (cidade onde o Brasil disputou todas as partidas, com exceção da final, no Mundial), e uma comunidade em São Vicente recebeu o nome de México 70. De lá para cá a ligação com o povo mexicano se tornou muito grande”, conta ele. “Os torcedores serão bem-vindos, recebidos de braços abertos por todos. Eles nunca mais esquecerão nossa cidade e nosso clube”.

Já a Costa Rica talvez guarde lembrança um pouco mais amarga do Santos. Em 1959, o clube brasileiro derrotou a seleção por 2 x 1 durante uma excursão pela América Central – já tinha batido também o Saprissa, tradicional equipe do país, por 3 x 1.

Preparação

A cidade de Santos se preparou nos últimos meses para receber os turistas que irão à cidade para acompanhar suas seleções. Um centro de atendimento está sendo erguido na praça das Bandeiras, no Gonzaga, com recepcionistas trilíngues. O Disk Tour (0800-173887) funcionará 24 horas por dia.

Servidores que atuam em setores de maior proximidade com o público também passaram por qualificação e tiveram aulas de inglês e espanhol. Para facilitar a identificação por turistas, os taxis da cidade foram padronizados.

“Eles vão ser muito bem recebidos, estamos preparados para recebê-los e orientá-los para onde eles queiram ir. Estamos muito esperançosos e contentes de poder acolher toda essa turma”, garante o guia turístico Nelson Carrera, que atua nos bondinhos do centro histórico, um dos passeios obrigatórios de quem passar por Santos.

A grande atração no período da Copa será o Museu Pelé, que será inaugurado no próximo dia 15 de junho. Foram investidos cerca de R$ 50 milhões na obra na região do Valongo. O acervo contará com 2.400 peças representativas da vida do jogador.

Leonardo Lourenço, do Portal da Copa em São Paulo

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