Índios Pitaguary, no Ceará, quebram até tradição para torcer pela Seleção Brasileira

23/06/2014 - 21:35
Tribo cearense se pintou de verde e amarelo e adaptou cantos tradicionais para trazer vibrações positivas para a Seleção Brasileira. Ritual deu certo

Acostumados a se pintar de vermelho e preto, os índios Pitaguary mudaram até uma tradição secular para mandar vibrações positivas e ajudar a Seleção Brasileira a vencer Camarões. A tribo, que vive na cidade de Maracanaú, no Ceará, vestiu-se (e pintou-se) de verde e amarelo nesta terça-feira (23.06). “Hoje mudamos nossa tradição e trocamos nossas cores para trazer boas energias para o Brasil”, contou o cacique Daniel Pitaguary.

Uma hora antes do jogo, o espaço onde os índios se reuniram para assistir a partida já estava decorado com bandeirinhas e fitas com as cores do Brasil. Além disso, muitos deles usaram camisas da Seleção para trazer sorte ao time. Outro ritual tradicional da comunidade, o Toré (dança e canto típicos) também foi adaptado antes de o jogo começar. “Balança o tambor, dai-nos força para lutar e o Brasil ganhar”, dizia um pedaço da canção adaptada para o momento.

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“Os jogadores podem estar aqui ou do outro lado do mundo. Com o Toré estamos colocando toda nossa energia positiva para eles”, disse a Pitaguary Ana Clécia. Momentos antes da partida contra Camarões, os índios rezaram por cerca de 10 minutos puxados pelo cacique Daniel. O ritual, segundo eles, é seguido sempre antes de momentos importantes para a comunidade ou para o Brasil.

A todo momento, os Pitaguary fazem questão de ressaltar o amor que os índios têm pelo país. “Nós temos muito orgulho do Brasil. Quando se fala do país, estamos falando da terra, desse chão aqui que a gente pisa”, afirmou Ana Clécia. “Nós somos os primeiros a pisar nessa terra. Ninguém tem mais orgulho de sua pátria do que o índio”, disse o cacique Daniel Pitaguary.

O jogo

Os Pitaguary começaram a partida fazendo festa com o gol de Neymar logo aos 17 minutos. Mas o empate de Camarões deixou muita gente apreensiva na comunidade. Até a “corneta” apareceu com tudo. “Tem que tirar o Paulinho”, dizia um. “Essa defesa não está legal, precisa trocar o Daniel Alves”, gritava outro. A festa voltou com tudo com o segundo gol do Brasil. Teve espaço até para a gaiatice. “Esse Neymar é meu fã. Aprendeu comigo a jogar bola”, brincou Júnior Pitaguary. 

O segundo tempo foi de mais festa com os 4 x 1 da Seleção sobre Camarões e a certeza de ter ajudado os jogadores em Brasília. No próximo sábado, quando o Brasil enfrentará o Chile pelas oitavas-de-final, os Pitaguary garantem que farão novo ritual trazer boas vibrações para os atletas brasileiros.

Ida ao Castelão

Três Pitaguarys foram à Arena Castelão no último dia 17 para assistir a partida da Seleção Brasileira diante do México, pela segunda rodada do grupo A da Copa do Mundo. Ana Clédia, Júnior e João Paulo se juntaram a índios de outras tribos e acompanharam o empate contra os mexicanos. Se o resultado não agradou, o sentimento de ver um jogo de Copa do Mundo nunca será esquecido. “Chorei muito na hora do hino nacional. Foi uma das maiores emoções que tive na vida. Algo que nunca vou esquecer”, disse Ana Clécia. “O hino foi a parte mais emocionante do jogo”, afirmou João Paulo.

Os índios Pitaguary se dizem apaixonados por futebol. Tanto que dentro da comunidade há um campo de terra para as “peladas” de fim de tarde. “Aqui temos vários times. Eles jogam sempre, tem até campeonato”, comentou Ceiça Pitaguary, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) na tribo cearense.  

Tribo

Atualmente, a tribo Pitaguary é dividida em seis aldeias e formada por 1.400 famílias (cerca de 4 mil pessoas) nas cidades de Maracanaú e Pacatuba, na região metropolitana de Fortaleza. A comunidade, que tem como principal fonte de subsistência a agricultura, a pesca, a coleta de frutos e o artesanato, dispõe de aproximadamente 1.735 hectares de terra nos dois municípios.

Thiago Cafardo, do Portal da Copa em Fortaleza

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