A Rua Benedito Correia de Freitas, no bairro Abranches em Curitiba, segue a tradição da “corrente pra frente” em torno da Seleção Brasileira. As árvores na calçada, o meio fio, os muros e os telhados dos vizinhos, nada escapa do espírito patriótico que toma conta do local. Até o ponto de ônibus, da linha Mateus Leme, ganhou tons em verde e amarelo.
A responsável pela tradição de colorir a paisagem urbana a cada quatro anos é a moradora Silmara Cristina Iglesias, de 48 anos. Trabalho que deu sorte na conquista do tetra em 1994 e se repete desde então. “Eu comecei depois da morte do Ayrton Senna, em 1994, porque ele era e continua sendo um exemplo de que devemos mostrar o orgulho de sermos brasileiros”, discursa Silmara, que hoje trabalha como segurança em jogos de futebol.

Ela usou o pouco dinheiro que tinha para expressar a admiração pelo piloto brasileiro, que morreu no GP de Ímola há 20 anos. “Eu tinha saído do emprego e foi com o dinheiro do FGTS que a rua foi decorada”, conta.
As cores verde, amarela, azul e branco estão por toda parte da casa de Silmara. Até o cachorro Palhaço entrou na onda e a sua casinha foi devidamente enfeitada e ganhou as cores da bandeira nacional. “Já ouvi gente me falar que fazer essas decorações é um absurdo, não tem sentindo e que eu devia estar na rua protestando. Eu até considero que as pessoas devem se manifestar, mas eu acho que as pessoas querem torcer e sentir orgulho do nosso país”, acredita.

Mutirão “corrente pra frente”
Silmara, com um grupo de vizinhos, sai em busca de doações para comprar a tinta e os materiais de pintura. “Se fosse uma artista, ela seria uma celebridade”, diverte-se um vizinho, lembrando do tempo em que a torcedora número 1 da Seleção vendia cachorro-quente pelo bairro pilotando uma moto Jog, equipada com uma sirene para chamar a atenção das pessoas.
E ainda há muito trabalho pela frente até o começo da Copa. Bandeirinhas serão penduradas nos postes e um telão será instalado na casa de Silmara. Só que diferente de outras Copas, ela ainda tem o sonho de assistir à abertura do Mundial entre Brasil x Croácia, na Arena Corinthians, em São Paulo. E, quem sabe, uma final com a equipe de Felipão em busca do hexa, no Maracanã. “Não consegui ingresso para nenhuma partida, mas ainda tenho esperança que alguém me convide. Seria a maior alegria da minha vida, você nem pode imaginar”, garante.