Estádio Nacional: cobertura capta água da chuva e diminui consumo de energia

18/05/2013 - 00:07
“Teto” cobrirá todos os mais de 72 mil lugares. Membrana isola o calor, o que melhora a sensação térmica dentro da arena, reduz a necessidade do uso de ar-condicionado ou outro tipo de ventilação artificial

Os torcedores que forem ao Estádio Nacional Mané Garrincha estarão protegidos do sol e da chuva por uma cobertura que abriga todos os mais de 72 mil lugares. Funcionando como sistema de "roda de bicicleta invertida", ela é composta por uma estrutura tensionada com cabos e treliças metálicas e revestida por membrana de 90 mil m². A montagem teve início com o anel de compressão, que tem um quilômetro de extensão por 22m de largura. Depois disso, foram três etapas para finalizar o “teto” do estádio de Brasília.

“A cobertura foi projetada para atender um grande vão. São 80 metros entre o anel de compressão até a finalização da cobertura, de forma que todos os assentos fiquem cobertos. Projetar uma cobertura assim, além de ser inovador, é um desafio. A inclinação da cobertura é de 9%, e essa inclinação gera uma dificuldade de execução. Nela são incorporados cabos tensionados para daí começar o suporte da cobertura propriamente dita”, ressalta Maruska Holanda, engenheira responsável pela obra.

A primeira etapa foi o içamento dos cabos de sustentação da estrutura, processo chamado de big lift. Todos os 48 cabos, cada um deles com 10 cm de diâmetro, foram erguidos ao mesmo tempo, durante sete dias. Para garantir geometria circular e precisão, o içamento foi realizado com o auxílio de 48 macacos hidráulicos.

Foto: Lula Marques/GDF#

Cada passo foi coordenado a partir do próprio anel de compressão, por meio de uma central de controle. Posicionados ao longo de todo o anel, os macacos hidráulicos ergueram os cabos de forma automatizada. Em seguida, eles foram fixados nas 48 placas-base presas à circunferência. São, aproximadamente, 6,5km de cabos.

A segunda fase foi a instalação das treliças, estruturas constituídas por tubos metálicos que foram erguidas por quatro guindastes posicionados no campo. No total, são 48 peças, cada uma com 68m de comprimento e 12m de altura, conectadas aos cabos de sustentação.

A terceira e última etapa da cobertura foi a colocação da membrana, composta por duas camadas, uma película principal na parte superior e com 48 módulos, e outra que é uma espécie de forro, no lado inferior. A montagem da lona foi realizada por duas equipes, com cerca de 100 operários.

Sustentabilidade

Feita com tecnologia desenvolvida no Japão, a membrana que cobre a arena de Brasília tem como característica principal a sustentabilidade. Com revestimento composto por fibra de vidro e material com propriedades especiais, ela é autolimpante. A técnica de utilização do dióxido de titânio libera moléculas de dióxido de oxigênio quando a membrana é exposta ao sol – o processo chama-se fotocatálise. Essas moléculas dissolvem a poeira e o produto é varrido pelas águas da chuva. Com isso, até mesmo a sujeira acumulada durante o período da seca pode ser removida nas primeiras chuvas.

A água da chuva que cair sobre a cobertura será canalizada para cinco reservatórios, onde será filtrada e tratada, para ser reutilizada nos vasos sanitários e na irrigação do campo. “Ela é aproveitada nessas áreas e isso é muito benéfico para os custos de operação porque você consegue reduzir bastante o consumo de água do estádio”, destaca Maruska Holanda.

A cobertura branca também irá liberar a passagem de iluminação natural, sem a exposição nociva à luz solar. Além de refletir os raios ultravioletas e reter 15% da luz amarela, a membrana isola o calor, melhorando a sensação térmica dentro da arena, reduzindo a necessidade do uso de ar condicionado ou outro tipo de ventilação artificial. Outras propriedades do “teto” são a sua resistência e incombustão. A película ainda é capaz de capturar a poluição de mil carros por dia.

» Acompanhe a cobertura completa do Portal da Copa para a inauguração do Estádio Nacional de Brasília

Gabriel Fialho – Portal da Copa

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