Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, recebe certificação LEED Prata de sustentabilidade

05/08/2014 - 11:43
Arena é a sétima construída para a Copa do Mundo a ter selo que atesta adoção de medidas sustentáveis na edificação. Capital gaúcha passa a ter dois palcos com registro do Green Building Council

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O Beira-Rio é o sétimo estádio construído para a Copa do Mundo de 2014 a receber a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), concedido pelo US Green Building Council (USGBC) para edificações que atestam a adoção de conceitos de sustentabilidade. O palco de Porto Alegre para cinco jogos do Mundial foi contemplado com o Selo Prata na última semana. Com isso, a capital gaúcha passa a ter duas edificações esportivas sustentáveis, a outra é a Arena Grêmio.

A iniciativa de adotar medidas sustentáveis na construção dos estádios foi feita de forma voluntária pelo governo brasileiro. Este foi um requisito para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberasse financiamento para as obras das arenas da Copa. A exigência, inclusive, será adotada pela FIFA para as próximas edições do Mundial.

“Esta certificação foi resultado de muito esforço e dedicação de todos os envolvidos. Gostaria, inclusive, de dizer que superamos nossas expectativas e metas impostas. Havíamos nos preparado para obter a certificação no nível Certified, porém o resultado da pontuação foi melhor e obtivemos a certificação nível Silver. Esta é mais uma amostra da qualidade empregada na execução da obra e do nível do comprometimento de todos os envolvidos”, destacou Diana Oliveira, vice-presidente do Sport Club Internacional.

“O Internacional contribuiu expressivamente para a conquista desta certificação, desde o fornecimento de dados e documentos, até a implementação, por exemplo, de um programa de gerenciamento de resíduos sólidos. Além disso, o clube investiu na construção de uma central de resíduos, localizada ao lado do edifício garagem, com dimensões e instalações compatíveis com demandas industriais. Ações como estas somam na pontuação do certificado, que avalia itens relacionados à construção e operação das edificações”, afirmou o engenheiro Lucio Matteucci da construtora Andrade Gutierrez.

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Várias medidas sustentáveis foram adotadas pelos responsáveis pelas obras e operação do estádio Beira-Rio. Um plano de prevenção de poluição do solo e do ar foi implementado, com o objetivo de reduzir a poluição proveniente das atividades de construção, controlando a erosão do solo, o assoreamento dos cursos d’água e a geração de poeira na vizinhança.

Também foi implementado um planejamento para gerenciar a qualidade do ar interno durante as etapas de construção da obra e pré-ocupação do empreendimento, para evitar a contaminação das instalações de ar condicionado, melhorar as condições de trabalho e prevenir riscos à saúde de operários e torcedores.

Do total de resíduos gerados durante a reforma, 75% foram destinados para reciclagem ou reaproveitamento. Durante as obras, optou-se pela utilização de materiais com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis.

A geração de energia elétrica é outro item que contribuiu para a certificação do estádio. Ao todo, são 16 transformadores distribuídos em oito subestações. Os novos equipamentos têm uma potência total de 7,8 MVA - isto é, são capazes de fornecer energia para uma cidade de cerca de 40 mil habitantes. Os transformadores são a seco, compactos e encapsulados em IP21, o que dá uma grande segurança para operação e manutenção. O estádio possui mecanismos de controle de energia elétrica.

Paulino Menezes/ Portal da Copa#

Cobertura

O material usado na cobertura do Beira-Rio reduz as ilhas de calor para minimizar o impacto no microclima e no ambiente urbano. A membrana é composta por tecido de fibra de vidro e teflon. As 65 folhas do “teto” da arena são compostas de uma parte translúcida que permite a entrada de luz natural. O material tem durabilidade superior a 30 anos, podendo suportar temperaturas de 200 graus negativos a 260 graus. Há também um efeito estético secundário de demarcação da estrutura das folhas e realce da concepção arquitetônica.

"Autolimpante", a membrana não acumula sujeira e a poeira não adere ao material. A água da chuva que cair na cobertura é coletada por um sistema de captação e reutilizada nos sanitários, auxiliando, desta forma, na diminuição do consumo de água do estádio.  A irrigação do gramado é toda automatizada, o que evita gastos excessivos.

Nos banheiros, foram instalados mictórios a seco e sanitários com controladores de vazão de água e fechamento automático. Tanto torneiras quanto duchas serão do tipo hidromecânica, reguladas em razão da pressão no ponto acionado na válvula.

Sistema LEED

A Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) é um sistema internacional de certificação e orientação ambiental, utilizado em 143 países, com objetivo de incentivar a transformação dos projetos, obras e operação das edificações, sempre com foco na sustentabilidade. Criada pelo Conselho de Construção Sustentável dos EUA (USGBC) em 2000, a certificação chegou ao Brasil em 2007. O país é quarto do mundo em número de registros e o segundo quando se trata de edificações esportivas.

» Confira os outros estádios da Copa com certificação LEED:

- Arena Castelão (Fortaleza);
- Arena Fonte Nova (Salvador);
- Estádio Maracanã (Rio de Janeiro);
- Arena Pernambuco (Recife);
- Arena Amazônia (Manaus);
- Estádio Mineirão (Belo Horizonte).

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