Esperança vira descrença e frustração no Vale do Anhangabaú

08/07/2014 - 20:57
Torcedores buscavam explicações para a goleada histórica sofrida diante da Alemanha

Foto: Leonardo Lourenço/Portal da Copa#Claudio Estevão manifestava sua insatisfação com o cartazNa Fan Fest do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, o clima, originalmente, era de festa. Todos estavam esperançosos em um bom desempenho do Brasil, principalmente quando foi anunciado que o atacante Bernard ocuparia a vaga de Neymar, deixando a Seleção mais ofensiva.

Um torcedor chegou a erguer um cartaz: “Foi um prazer. Tchau. Agora finalmente vai para casa, Alemanha”. A empolgação só aumentou no início de jogo, com o Brasil fechando os espaços, e atacando com perigo o gol alemão.

Mas a animação durou só até os 11 minutos do primeiro tempo, com o gol de Thomas Müller, após bobeada da zaga. No entanto, ninguém esperava a tragédia que iria se seguir. Klose, aos 23, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols – deixou Ronaldo, estrela do pentacampeonato em 2002, para trás. Kroos ampliou, aos 24 e aos 26. Khedira fechou o caixão quando anotou o 5 x 0 antes de 30 minutos. Ainda restavam 15 no primeiro tempo e toda a etapa final, mas ninguém ousava acreditava numa virada àquela altura.

Revoltado, um torcedor jogou longe a camisa do Brasil. Alguns já desistiam de continuar no espaço reservado e deixavam a Fan Fest. Um grupo de torcedores são-paulinos entoou: “Não é mole não. O time do São Paulo é melhor que a Seleção”.

“É uma decepção. Pode perder para a Alemanha de 1 x 0 ou nos pênaltis. É normal. Mas não pode tomar tantos gols em 30 minutos”, afirmou Gelson Pereira, 45.

Sem entender o que acontecia no Mineirão, alguns tentavam achar explicação. “É um Brasil de forma que nunca vimos na história. É a maior decepção do futebol mundial. O Brasil não tem tática. É preciso renovar”, afirmou Claudio Estevão, 55.

No intervalo, os únicos que faziam festa eram os poucos argentinos que circulavam pelo local. Mas, nem para eles, a festa era completa. “Incrível esse placar. Eu queria ver um Brasil x Argentina, mas não na disputa do terceiro lugar. Queria esse clássico na final”, afirmou Ricardo Vanaz, que veio da Patagônia para acompanhar o clima de Copa do Mundo na Fan Fest.

O inesperado placar fez com que alguns torcedores da Alemanha se sentissem acuados. “Vou pedir para um policial me escoltar até o metrô”, preocupava-se Eugênio Menezes, que apesar de brasileiro, torcia para a seleção dos avós paternos alemães. Apesar disso, não foram vistos episódios de violência ali.

Para o alemão Dieter Schafer, qualquer time que saísse vitorioso estava valendo, já que sua mulher, Paula, e a filha, Patrícia, são brasileiras, e estavam de verde e amarelo. “É um placar inacreditável. Não esperava. É até mais incrível do que o jogo entre Holanda e Espanha [5 x 1, na primeira fase]”, afirmou, pouco antes de assistir a mais um gol de sua seleção, marcado por Schürle, aos 24 do segundo tempo.

Dez minutos depois, o atacante do Chelsea fez o sétimo gol da Alemanha. Receoso, um pequeno grupo de alemães comemorou discretamente. Aos brasileiros, que estavam ao redor, só restou aplaudir o gol. Oscar descontou aos 45 do segundo tempo, fazendo com que um grupo de brasileiros mostrasse que não desiste nunca: “Eu acredito! Eu acredito!”

Decepcionada com o resultado, a estudante Gabrielle Gonçalves, 22, já tinha time para torcer no dia seguinte. “Espero que pelo menos a Holanda ganhe da Argentina amanhã [quarta-feira]”, afirmava a estudante Gabrielle Gonçalves, 22.

Era a mesma expectativa dos amigos holandeses Daan Van Holst, 44, e Thijs Evers, 42, que tinham um palpite para o restante do Mundial. “Vamos ganhar da Argentina para vingar 1978, e derrotar a Alemanha na decisão, para vingar 1974”, afirmou Evers, referindo-se às finais dos Mundiais perdidos pela Holanda nos anos 70.

Adalberto Leister Filho e Leonardo Lourenço, do Portal da Copa, em São Paulo (SP)

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