Colorados se emocionam no retorno do Beira-Rio. Em campo, 4 x 0 sobre o Caxias

15/02/2014 - 23:15
Estádio que receberá cinco partidas da Copa do Mundo sediou o primeiro jogo depois da reforma para o Mundial de 2014

“Ô, o Gigante voltou”. Ao som do coro de dez mil colorados, o Internacional fez a festa no primeiro jogo do novo Beira-Rio, na noite deste sábado (15.02), em Porto Alegre. No campo, o time retribuiu a alegria vinda das arquibancadas e venceu o Caxias por 4 x 0, em partida válida pelo Campeonato Gaúcho que também serviu como o primeiro evento-teste do Beira-Rio. 

Duas horas antes de a bola rolar, quando os portões foram abertos, a emoção tomou conta dos torcedores, que voltaram à casa colorada após 15 meses de espera, tempo em que o estádio que vai receber cinco jogos da Copa do Mundo ficou fechado para as obras de modernização. 

Fotos: Portal da Copa/ME/Gabriel Heusi/Fevereiro de 2014#Aristides também esteve na abertura da primeira versão do Beira-Rio, em 1969: "Chego até a gaguejar. Ficou muito bonito. É emocionante"

>> Confira com o meia Alex detalhes do palco de cinco jogos da Copa

Encantados com a beleza do novo Beira-Rio, os dez mil sócios que conseguiram ingressos para o jogo mal se continham. “Chego até a gaguejar. Ficou muito bonito. É emocionante”, disse o militar reformado Aristides Miguel, que também estava na abertura do antigo Beira-Rio, em 1969, e dessa vez levou o neto Ian para o primeiro jogo da nova arena.

Sócio do Inter há 27 anos, o radialista Paulo Celso Machado, que mora na cidade de Camaquã, fez questão de ver de perto a reabertura do Beira-Rio. O pai de Paulo Celso ajudou a construir o antigo estádio e o filho não escondia a satisfação de poder voltar às arquibancadas. “Fora de série, sensacional, tudo bem organizado. Esse estádio vai orgulhar os gaúchos e o povo brasileiro. Se não fosse a Copa do Mundo, não haveria um Beira-Rio assim”, afirmou Paulo, que pretende voltar para um jogo do Mundial.

 
Fotos: Portal da Copa/ME/Gabriel Heusi/Fevereiro de 2014#A família Gaubert reunida na arquibancada: planos de ver a França na Copa

O impacto do novo estádio também motivou a família Gaubert a voltar em junho para uma partida da Copa. Golbery Gaubert, a esposa Eliziane e os filhos Júlia, Leonardo e Manuela, que moram em Rio Grande, viajaram mais de 300 quilômetros para assistir a volta do Inter ao Beira-Rio. “O meu avô era francês. E vai ter jogo da França aqui, Então a gente vai tentar vir”, disse Golbery.

Sargento dos Bombeiros em Rio Grande, Golbery fez questão de elogiar tanto o estádio como a organização. “Para a gente que acompanhava todos os jogos aqui, é impressionante. Parece que não estamos no mesmo lugar, parece que é novo. Está muito bonito e o pessoal está todo muito empolgado, querendo ajudar”. 

Mesmo com as obras no entorno do estádio ainda em andamento, os torcedores não tiveram dificuldades na chegada e na saída da arena. O primeiro evento-teste do Beira-Rio foi restrito a 10 mil torcedores. O objetivo é aumentar esse número aos poucos, para testar a operação do estádio. A capacidade total do novo Beira-Rio é de 50 mil pessoas. 

Com apenas parte da arquibancada inferior aberta, não houve registro de confusões na área dos assentos, que ainda não estão numerados, e nem nas áreas de convivência, com filas pequenas nos bares e banheiros. Os únicos incidentes foram relacionados a torcedores que se recusavam a sentar-se nas cadeiras, preferindo assistir ao jogo em pé. Um deles, mais exaltado, precisou ser retirado do estádio pelos seguranças. 

Porto Alegre - Beira-Rio - Jogo Inaugural

Porto Alegre - Beira-Rio - Jogo Inaugural

O jogo

Antes do jogo, a torcida já demonstrou que o clima era de festa e paz. Os jogadores do Caxias entraram com uma faixa em que se lia “Contra o preconceito” e foram aplaudidos pelos colorados, que aproveitaram para gritar o nome de Tinga, volante campeão do mundo pelo Internacional em 2006 e que foi vítima de racismo na última quarta-feira, no Peru, quando defendia o Cruzeiro na Libertadores.

As dez mil vozes vindas das arquibancadas não se cansaram durante os 90 minutos do jogo, cantando o hino do Internacional e gritos de incentivo ao time. Com o apoio dos torcedores, os jogadores colorados trataram de ir para cima do Caxias desde o primeiro lance. E a espera durou apenas 21 minutos, quando o chileno Aránguiz cruzou da direita e encontrou o lateral-esquerdo Fabrício, que de cabeça abriu o placar, para delírio dos colorados.

O Internacional continuou ditando o ritmo, mas os outros gols só vieram no segundo tempo.  Com um minuto da segunda etapa, Aránguiz mais uma vez acertou um belo cruzamento e o atacante Rafael Moura aproveitou para deixar o dele. Dezoito minutos depois, o camisa 11 colorado voltou a balançar as redes, ao receber lindo passe do argentino D’Alessandro e mandar para o gol. Com a vitória encaminhada e muita festa nas arquibancadas, coube a Fabrício fechar o placar. O jogador tentou um chute de fora da área e contou com a contribuição do goleiro Douglas para fazer o quarto do Colorado.

A vitória garantiu ao Inter a manutenção da invencibilidade no Campeonato Gaúcho. O Colorado chegou aos 22 pontos, na liderança do Grupo A do torneio, com sete vitórias e um empate. O Inter deve voltar ao Beira-Rio no dia 27 de fevereiro, quando enfrenta o Brasil de Pelotas.

#Rafael Moura comemora um dos quatro gols marcados pelo Internacional na volta ao Beira-Rio

Coincidência histórica

Na inauguração do Beira-Rio, em 1969, o atacante Claudiomiro, um dos grandes ídolos da história do Internacional, marcou o primeiro gol no estádio de cabeça. E o primeiro tento da nova arena, coincidentemente, também veio de uma cabeçada, de autoria do lateral-esquerdo Fabrício, que não escondeu a felicidade após a partida. “Estou muito feliz de estar na história do Inter como o Claudiomiro, que deu muitos títulos para a torcida. Pode falar o que for, mas entrei na história. Fico feliz de ter essa oportunidade de jogar num estádio maravilhoso, que é o Beira-Rio”, disse o lateral.

Para o técnico Abel Braga, a sintonia com a torcida foi o mais importante. “Queríamos nessa reabertura conquistar essa empatia com o torcedor. Não só a beleza do estádio, mas tudo ter corrido bem foi importante e essa identidade começa a ser criada. Ao voltar pra casa, tínhamos que ser os protagonistas. E isso veio com naturalidade”, afirmou.

O vice-presidente de futebol do Inter, Marcelo Medeiros, destacou a data histórica. “Eu vim ao jogo inaugural (em 1969), acompanhado de meu pai. Meu avô fazia parte da comissão de obras. E hoje tenho certeza que tem milhares de colorados que estão vivendo essa emoção de terem participado, testemunhado, vivido, chorado, gritado com o nosso time. A grandeza do Inter está ligada ao Beira-Rio”, afirmou.

Durante o jogo, o clube distribuiu um questionário aos torcedores para avaliar o primeiro evento-teste. O objetivo é aprimorar a operação do estádio de maneira gradativa até a Copa do Mundo.  “A gente vai estudar o andamento dos trabalhos e no próximo jogo vai estar mais aprimorado”, disse Medeiros, que mostrou-se satisfeito com a organização. 

Mateus Baeta - Portal da Copa

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