Cidade de Caruaru espera mais de 1,5 milhão de pessoas nos arraiás até 29 de junho

22/06/2014 - 17:44
Cidade investiu ainda mais nas festas de São João para aproveitar a movimentação turística da Copa e fazer jus ao título de maior e melhor São João do mundo

Fotos: Cleide Passos/CAM de Recife#Na cidade pernambucana de Caruaru, a 138 km de Recife, não há jogos da Copa nem centros de treinamento das seleções. Mas, famosa pelo título de “Capital do Forró” e quadrilhas estilizadas - apresentação que junta o contemporâneo e o tradicional - Caruaru investiu ainda mais nas festas de São João para aproveitar a movimentação turística da Copa e fazer jus ao título de maior e melhor São João do mundo. Segundo a Secretaria de Cultura da cidade, a expectativa é atrair mais de 1,5 milhão de visitantes a seus parques, em quase 30 dias de festas, movimentando cerca de 200 milhões na economia local.

A criatividade é tamanha que Caruaru decorou toda a cidade com bandeirolas, balões verdes e amarelos, estandartes com os santos do mês, além de restaurar uma área que estava abandonada e transformá-la na Praça das Copas, local em que moradores e visitantes se  encontram para admirar os  jogadores da Seleção Brasileira, que fazem parte da decoração da praça, já que eles não vão passar por lá. Todos os integrantes foram feitos por artesãos da cidade, que têm o barro como principal meio de subsistência.

O trabalho foi inspirado nos dois maiores artesãos do Alto do Moura, conhecidos em todo o Brasil:  o mestre Vitalino e José Antônio da Silva, Zé Caboclo, pai da artesã Marliete Rodrigues, especialista em miniaturas de barro com uma obra no Guiness Book. O São João, em Caruaru, teve início em 31 de maio e termina no dia 29 de junho, dia em que se comemora São Pedro, e que  acontece o último jogo na Arena Pernambuco. Este ano passarão pelos parques de Caruaru 44 quadrilhas, de estilo tradicional e estilizado. E para quem não gosta do forró existem lugares para outros estilos, como rock e MPB.

Molecodrilha

Uma molecodrilha, ou seja, uma quadrilha estilizada, diferente das tradicionais, recebeu um grupo de jornalistas, na última semana, e com suas roupas suntuosas fizeram uma grande apresentação ao som do Trio Santa Rosa. Todos acabaram participando da festa. Os jornalistas indianos Adash e Paty experimentaram o ritmo nordestino e as comidas típicas da região, como galinha a cabidela, sarapatel, pamonha, munguzá, bolo de milho e pé de moleque, entre outras. Os dois aprovaram as iguarias.

Mas a visita não parou por aí, os jornalistas tiveram a oportunidade de conhecer o maior centro de arte figurativa das Américas, o Alto do Moura, região onde se concentram cerca de mil pessoas, todas filhos, netos e bisnetos de artesãos famosos, como o Mestre Vitalino. O passeio se estendeu pela Associação dos Artesãos do Alto do Moura, onde o mestre e artesão Cícero José falou do seu trabalho e da experiência de ensinar a arte da cerâmica a 400 alunos de escolas da ilha de Cuba.

Em 15 minutos, Cícero confeccionou, em barro, o símbolo da Copa do Mundo, o Fuleco, e deu de presente para os visitantes. Segundo o artesão, ele chega a produzir dez peças por dia, dependendo do tamanho, mas algumas levam até dez dias para ficarem prontas. “Pena que a Fifa proibiu a produção do mascote”, lamentou.

Outra atração foi a visita à casa do Mestre Vitalino, onde o grupo foi recebido por Severino Vitalino, um de seus cinco filhos, que emocionado mostrou todos os objetos pessoais usados pelo mestre, que até hoje é inspiração para várias gerações das famílias do Alto do Moura.

Além desses lugares, o Museu Luiz Gonzaga e o Museu do Barro também foram palcos da  visita dos jornalistas que puderam reviver a história em prosa e verso desse artista nordestino. O museu preserva grande acervo da vida do rei do baião, relembrado em todas as festas juninas da região.

Cleide Passos, do CAM de Recife
 

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