Britânico que percorre as cidades-sede da Copa de bicicleta conhece o Castelão

15/05/2014 - 18:16
Durante a jornada, que já soma mais de seis mil quilômetros, Andy Smith arrecada fundos para instituições de caridade. Inglês elogiou o estádio cearense antes de partir para a última parada: Manaus

Fotos: Thiago Cafardo#Após conhecer o Castelão, Andy Smith parte para Manaus, onde pretende assistir à estreia da Inglaterra na Copa, no dia 14 de junho Há seis meses, o britânico Andy Smith, de 35 anos, decidiu pedir demissão do cargo de gerente contábil da empresa em que trabalhava, em Borough, na Inglaterra, para assistir a Copa do Mundo no Brasil. Até aí tudo normal para um fanático por futebol. Mas não bastava apenas assistir aos jogos. Ele queria conhecer, de bicicleta, as 12 sedes do Mundial e outras partes do país. Nesta quinta-feira (15.05), Andy chegou a Fortaleza – a 11ª cidade de sua turnê batizada de #SambaCycle, que integra o projeto Smudger Samba Cycle - Charity Ride Brazil 2014.

A aventura não se resume à satisfação pessoal do britânico. Por meio de sua página na web (http://smudgersambacycle.org), Andy arrecada fundos em benefício de instituições que possuem projetos de inclusão para crianças de baixa renda ou que sofrem com questões de violência, drogas, discriminação, deficiência física e mental e portadoras do vírus da AIDS.

“Percebi (no fim do ano passado) que o trabalho não tinha mais significado pra mim e resolvi sair para realizar esse projeto”, afirmou o britânico, durante a visita à Arena Castelão. “Desde que foi anunciado que o Brasil sediaria a Copa de 2014, eu pensei nessa ideia. Este é um país fascinante, rico em cultura e de uma beleza incrível. E ainda tem o futebol!”, disse.

A jornada começou no dia 21 de janeiro em Porto Alegre, passou por Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Salvador, Recife e Natal, chegando a Fortaleza. São mais de 6 mil quilômetros percorridos sobre sua bicicleta, batizada de “Luis Good Luck (Luís Boa Sorte)”. O nome da bike, diz ele, é uma referência ao ex-jogador português Luís Boa Morte, que atuou no futebol inglês na década passada e hoje é treinador das categorias de base do Fulham, de Londres. “Coloquei ao contrário para dar sorte mesmo”, diverte-se.

Segundo Andy, a meta é terminar o tour em Manaus, a tempo para estreia da Inglaterra contra a Itália, em 14 de junho. Para não perder tempo, o britânico parte nesta sexta-feira (16.05) rumo à capital do Amazonas – ele pedala entre 80 e 100 km por dia. “Tenho ingressos para os três jogos da Inglaterra na primeira fase, contra a Itália, Uruguai e Costa Rica”. Os trajetos entre Manaus, São Paulo e Belo Horizonte, onde o time inglês jogará na etapa inicial do Mundial serão feitos, claro, de avião.

Grupo complicado
Sobre as chances de a Inglaterra seguir na Copa do Mundo após a primeira fase, Andy Smith afirma ser complicado devido ao grupo. Mas acha que, com um pouco de sorte, é possível avançar até as quartas de final e, quem sabe, enfrentar o Brasil no Castelão. “Seria um grande sonho”, diz. Porém, sobre a possibilidade de conquistar o Mundial, o britânico foi enfático: “Não. Isso é impossível”, cravou.

Andy Smith afirmou ter gostado da convocação do “English Team” para a Copa do Mundo. “O técnico (Roy Hodson) misturou bons jovens jogadores, como Sterling e Sturridge (ambos do Liverpool), com experientes. Mas acredito que seja uma seleção para a próxima Copa”, disse ele, que é torcedor do modesto Watford, do subúrbio de Londres. O time disputa atualmente a segunda divisão do Campeonato Inglês.

O britânico foi recebido no Castelão pelo secretário Especial da Copa 2014 no Ceará, Ferruccio Feitosa, e pelo ex-jogador Mirandinha, que trabalha na arena. “É uma iniciativa ímpar e com um contexto social muito forte. A atividade dele é muito nobre, voltada para ajudar instituições que precisam de ajuda. E ainda está divulgando nosso país”, afirmou Ferruccio Feitosa.

Andy ficou impressionado ao saber que Mirandinha foi o primeiro brasileiro a vestir a camisa de um clube inglês (jogou no Newcastle entre 1987 e 1989). Ao entrar no Castelão, o britânico observou admirado as arquibancadas. “Está muito bonito”, afirmou, antes de encerrar a visita com duas voltas de bicicleta ao redor do gramado.

#Em sua jornada pelas sedes do Mundial, ciclista já percorreu mais de seis mil quilômetros

Curiosidades

- Durante suas andanças pelo Brasil, Andy Smith assistiu a jogos no Pacaembu (Corinthians 0 x 2 Bragantino), no Maracanã (Flamengo 2 x 1 Vasco), no Mineirão (Cruzeiro 5 x 1 Universidad de Chile) e na Arena das Dunas (América-RN 3 x 0 Náutico).

- O irmão de Andy, Martins Smith, chegou ontem a Fortaleza. Ele também assistirá a Copa do Mundo, mas não vai pedalar pelo país.

- Mesmo já tendo pedalado mais de seis mil quilômetros pelo Brasil, Andy conta que nunca havia subido numa bicicleta até os 17 anos.

- Para chegar a Manaus, o britânico terá que pedalar mais 2,3 mil quilômetros. Como pedala entre 80 e 100 km por dia, deve chegar à capital amazonense por volta do dia 12 de junho. A estreia da Inglaterra, contra a Itália, será no dia 14.

- Após o passeio de bike ao redor do gramado, Andy ainda bateu bola com o secretário Ferruccio Feitosa e com o ex-jogador Mirandinha. O britânico mostrou ter intimidade com a bola.

- No site do ciclista é possível ver vídeos, fotos e acompanhar em quais cidades ele está. Além disso, Andy divulga para quais instituições de caridade doou dinheiro e faz questão de frisar que o valor arrecadado é repassado diretamente às instituições de caridade e que nada é usado para financiar suas viagens.

Thiago Cafardo, do Portal da Copa em Fortaleza (CE)

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