Guarujá: Bósnios goleiam sub-20 do Santos e estreiam iluminação de estádio

10/06/2014 - 00:21
Única seleção estreante na Copa protagoniza o primeiro jogo noturno da história do local no último amistoso antes do Mundial

Fotos: Leonardo Lourenço/Portal da Copa#O ator Marcelo Adnet (segurando a faixa) assistiu ao jogo-treinoForam mais de 30 anos sem que uma partida pudesse ser realizada à noite no Estádio Antônio Fernandes, na cidade de Guarujá-SP (a 90 quilômetros de São Paulo). Coube à Bósnia e Herzegovina, a única seleção estreante nesta Copa do Mundo, a honra de marcar o primeiro gol noturno da pequena arena no litoral paulista, agora reformada – e com 84 novos refletores.

A equipe, rival da Argentina na primeira rodada do Mundial, fez nesta segunda-feira (9.10) o seu último amistoso antes do torneio. Com cerca de 3.500 pessoas lotando a arquibancada, os europeus golearam a equipe sub-20 do Santos por 5 x 1 no ensaio final antes do duelo de domingo (15.06) no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Hajrovic anotou o gol que abriu o placar aos 33 minutos do primeiro tempo. Ibisevic (duas vezes), Lulic e Visca completaram o passeio bósnio, que no fim ainda viu os garotos santistas marcarem o tento de honra com Diogo. No Grupo F, além dos argentinos, a seleção da Bósnia enfrenta também a Nigéria (21.06, em Cuiabá) e o Irã (25.06, em Salvador).

Apoio

Na arquibancada, um personagem trajado com a camisa 9 do centroavante Dzeko chamava a atenção. Seguido por todo lado por uma câmera, o comediante Marcelo Adnet, da TV Globo, esteve no Guarujá para apoiar a Bósnia, nação que ele passou a admirar durante a adolescência.

“Eu comecei a estudar a história do país, então me interessei pela música e pela língua. Acompanho tudo. Para mim, é um sonho ver a equipe aqui. E será um sonho vê-la passar das oitavas de final. Só de estar na Copa, já é um título”, afirmou ele, ao lembrar da guerra que assolou a Bósnia no início dos anos 1990 durante a dissolução da Iugoslávia.

Entrosado com os poucos bósnios que ocupavam um lugar no estádio, Adnet mostrou ter se aplicado nos estudos: entoou todos os gritos dos torcedores europeus, na língua original. Depois, no Twitter, ainda mandou uma mensagem aos amigos que fez no Guarujá. “Vocês são o orgulho do país”, escreveu, em bósnio.

Amer Haveric se divertia ao ouvir os cânticos – alguns mal educados, segundo ele – de seus compatriotas. No Brasil há dois dias, estava acompanhado da esposa e de dois filhos. “Nós podemos passar da fase de grupos, mas a partir daí, tudo será um milagre”, afirmou ele, que teve que deixar a Bósnia em 1992, durante a guerra civil.

Nedim, 20, e Edin, 14, nasceram já nos Estados Unidos, para onde a família partiu para fugir dos conflitos. Ambos exibiam orgulhosos a camiseta azul da Bósnia. “É um sentimento mágico”, resumiu o mais velho. “Temos que aproveitar. É nossa primeira vez aqui (numa Copa), pode ser a última, nunca sabemos”, completou.

“Esse é um time que uniu nosso povo, que coloca todos juntos”, disse Edin, que demonstrou esperanças com a equipe. “Acho que podemos empatar com a Argentina e bater a Nigéria e o Irã para brigarmos pela primeira posição. De qualquer forma, o segundo lugar é uma certeza”, declarou.

#Amer Haveric e seus filhos vieram ao Brasil para assistir à estreia da Bósnia em Mundiais. O brasileiro Louis (D) torce com os amigos

Apoio local

#Rafael foi ao estádio em busca do autógrafo de DzekoA família Haveric estava acompanhada do santista Louis Alvares, que estuda no mesmo colégio de Edin nos EUA. “Depois do Brasil, claro que vou torcer pela Bósnia. Se eles chegarem até as quartas de final, vou ficar feliz”, disse.

Louis, porém, não foi o único fisgado pela simpatia dos torcedores e jogadores europeus. Os cinco gols da Bósnia foram comemorados como se eles estivessem em casa. Grudado em seu álbum de figurinhas, o estudante Rafael Mencaroni tinha uma missão: conseguir o autógrafo do astro Dzeko, atacante do Manchester City.

“Vou esperar ele sair para tentar”, contou o garoto, que já colecionava alguns rabiscos pretos sobre as imagens de alguns jogadores bósnios. “Estou me divertindo muito aqui, mas acho difícil cantar as músicas deles”, assumiu.

“Essa é uma oportunidade única e importante, porque atrai a mídia estrangeira e os turistas procuram a cidade”, disse Rogério Sachs, que é presidente da associação comercial do Guarujá. “Graças a eles temos uma movimentação atípica por aqui nesta época do ano. E eles são simpáticos, dá para torcer também”, brincou.

Reforma

Totalmente reformulado, o estádio Antônio Fernandes recebeu cerca de R$ 16,5 milhões em investimentos. Por ter sido escolhida para receber uma seleção durante a Copa, a cidade teve acesso a verba do Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento de Estâncias). Dos R$ 12 milhões destinados pelo Governo Estadual, R$ 8 foram alocados na reconstrução da arena e o restante em obras no entorno.

Além da iluminação, o local também ganhou cabines de imprensa, vestiários mais modernos, salas de musculação e fisioterapia, entre outros. A arquibancada foi toda remodelada e agora pode receber até 4.000 espectadores, todos sentados nas novas cadeiras que foram instaladas. O gramado conta com um novo sistema de drenagem e irrigação. Outros R$ 4,5 milhões foram repassados pelo Ministério do Esporte para a compra de equipamentos para o estádio.

 

Leonardo Lourenço, do Portal da Copa em São Paulo

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