Arena da Amazônia: multiuso e sustentável, estádio reúne melhores condições para os atletas

09/03/2014 - 07:53
Gramado foi plantado em mudas, com espécie Bermuda Tifway 419. Cobertura capta água da chuva e a direciona para reservatórios com capacidade de 120 mil litros

Fotos: Portal da Copa/Fevereiro 2014#Localizada no centro geográfico de Manaus, a Arena da Amazônia representará um novo espaço para eventos na capital amazonense. Além das partidas de futebol, o estádio foi projetado para abrigar shows e conta com auditório, salas de reunião, lounges e áreas que poderão ser usadas para feiras e seminários. O projeto original prevê a instalação de um museu e de um restaurante, no local do camarote “Bossa Nova” após a Copa do Mundo. Ao redor, há um centro de convenções, um ginásio e um sambódromo.

O coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa), Miguel Capobiango, prevê a inclusão da cidade na rota de shows internacionais com a inauguração da nova arena. “Ela é grande em tamanho e visibilidade. Projeta Manaus, por conta da Copa do Mundo, como uma cidade com uma arena padrão FIFA, bem posicionada, pois ela está no centro geográfico da cidade, com acesso de todos os bairros. Ela vai poder oferecer um espaço para eventos de grande porte, de nível internacional. Passaremos a ter um palco para grandes shows, pois antes não tínhamos um espaço adequado. Seremos uma alternativa, principalmente, com o apelo verde que a Amazônia exerce no mundo inteiro”.

Para ele, o estádio poderá impulsionar o crescimento do futebol local, que hoje conta com times apenas na série D do campeonato brasileiro. “A gente percebe que a arena vai poder exercer uma influência grande, por termos um palco de qualidade, mas acima de tudo, por atrair interesse de público e de mídia para cá. Isso ajuda o futebol indiretamente, no apoio de patrocinadores e é um diferencial importante”. 

As redes de televisão terão seis cabines para as transmissões dos jogos, uma sala de coletiva de imprensa e uma zona mista de 560 m².

Gramado e vestiários

Para apresentar um bom futebol e empolgar a torcida, os jogadores terão um campo com dimensões de 105 por 68 metros, com a grama da espécie Bermuda Tifway 419, apropriada para o clima da região e mais resistente ao pisoteio. O gramado foi plantado em mudas, transportadas de São José dos Campos (SP), em contêineres refrigerados. O plantio foi feito no final de setembro e as mudas estão todas enraizadas, em condição de jogo desde o final de dezembro.

Com quatro camadas, o campo de jogo da Arena da Amazônia começou a ser construído com a escavação da área e com a abertura de valas. A etapa seguinte consistiu na aplicação da manta geotêxtil e da tubulação da drenagem. Na sequência, foram colocados a areia e o top soil (matéria orgânica). Por fim, foi feito o nivelamento a laser e o plantio das mudas.

O nivelamento é essencial para garantir que o campo tenha os caimentos necessários de 0,5% em todos os lados, auxiliando o sistema de drenagem. O trabalho é feito por um trator, equipado com laser para leitura do terreno e um transmissor fixado no centro do campo, que envia as informações para que os desníveis sejam obtidos à medida que o trator se movimenta.

Ao redor do campo foi fixada uma grama sintética, que tem a função de acabamento e por ser mais resistente, permite o trânsito de carretas, ambulâncias e veículos de suporte para os diversos eventos, sem danificar o gramado. Os automóveis podem entrar por dois túneis, com altura de cinco metros e acesso direto à rua do Sambódromo.

“São túneis de acesso de campo, para permitir a entrada de carretas, que possam carregar um palco ou outra estrutura para ser montada no gramado, ou ambulâncias, por exemplo, se tiver que ter uma retirada rápida. Esses túneis também dão acesso aos ônibus das seleções. Temos uma entrada e uma saída dos ônibus, que passam em frente aos vestiários”.

No total são dois vestiários para as equipes e outros dois para a arbitragem. Cada um deles tem 12 duchas, três boxes de banheiros, sala de aquecimento com grama sintética e seis banheiras.

Sustentabilidade

A irrigação do campo é automatizada e feita por 35 aspersores e pode utilizar a água dos reservatórios, com capacidade para 120 mil litros, que armazena a chuva captada pela cobertura. “Nós temos sete tanques que recebem a água das chuvas ou da concessionária. A água é toda refiltrada e retratada para ser reutilizada. Temos uma área de mais de 20 mil metros quadrados de captação na cobertura, para que essa água possa ser direcionada para os tanques de reaproveitamento, que garantem uma reserva em caso de necessidade”, detalha o coordenador da UGP Copa.

Com os altos índices pluviométricos de Manaus, a arena conta com um sistema de drenagem por gravidade e outro a vácuo. “A drenagem por gravidade já tem funcionado bem, fizemos testes em dias de chuva e não houve retenção em nenhuma parte do gramado. Mas, também instalamos aqui a drenagem a vácuo, que vai nos ajudar na ventilação do gramado. Todos os estudos levaram em consideração o projeto arquitetônico, que já direciona a ventilação natural dessa região para dentro. Mas, em um dia de muito calor, ela pode não ser suficiente. Para evitar esse risco, nós também instalamos a drenagem a vácuo”, revela Capobiango.

Com 11 metros de altura acima das vias ao redor da Arena da Amazônia, o nível do pódio possui 14 aberturas para aumentar a ventilação da área interna. A cobertura translúcida permite uma passagem maior de luz, diminuindo o uso de energia artificial. Além disso, a membrana do “teto” da arena reflete até 75% dos raios solares, diminuindo a temperatura no local e a necessidade do uso de refrigeração. Na construção do estádio, 95% do material da demolição do antigo Vivaldo Lima foi reaproveitado.   

» Vídeo, fotos e infográfico: conheça os detalhes do estádio de Manaus para a Copa

Gabriel Fialho - Portal da Copa

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