Arena da Amazônia: fachada e cobertura reproduzem cesto de palha indígena

09/03/2014 - 07:52
Fabricadas em Portugal, as peças foram transportadas em navios até o porto de Manaus, entre março e outubro de 2013

A fachada e a cobertura da Arena da Amazônia são a marca do projeto arquitetônico do estádio. A estrutura reproduz um cesto de palha indígena e representou quase um terço dos esforços da construção do palco amazonense para quatro jogos da Copa do Mundo. A fachada do estádio, com altura de 22 metros, é composta de estruturas metálicas no formato da letra X, que vão diminuindo de tamanho até a cobertura, que tem uma projeção de 41 metros.

Fabricadas em Portugal, as peças metálicas foram transportadas em navios até o porto de Manaus. Juntas, elas pesam sete mil toneladas. Foram necessários três embarques, entre março e outubro de 2013, desde o porto de Aveiro até o de Chibatão, para completar todo o carregamento. Cada navio levou, em média, 15 dias de viagem entre a Europa e o Brasil. Para levar as peças do porto de Manaus ao canteiro de obras, foram utilizadas 70 carretas.

“A nossa arena teve alguns desafios, inclusive, logísticos. A estrutura metálica é preponderante na imagem do estádio. Ela foi fabricada em Portugal e teve que vir em lotes. Ela foi toda pré-montada no chão e suspensa com guindastes. Foi uma operação muito bem desenhada em termos de logística”, comentou Miguel Capobiango, coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa).

Primeiro foram instalados os elementos em X da fachada, que são apoiados no solo. Em seguida, as vigas da cobertura foram colocadas, fixadas na extremidade das peças da fachada e em torres de montagem, que foram retiradas depois de finalizado o processo. O apoio das torres e a soldagem dos nós da base da estrutura metálica permitiram a sustentação e estabilidade da cobertura.

“Um X da fachada chega a pesar 97 toneladas e é preciso montá-lo no chão. Eles foram montados em módulos e erguidos por guindastes. Uma operação sempre muito delicada, considerando que é preciso atuar sempre com dois guindastes, para evitar o balanço. São módulos periféricos, que fizeram o suporte de fachada e ao mesmo tempo estruturaram um anel em treliça. Em cima desse anel é lançada uma outra estrutura, que também forma um anel, esse um pouco mais na horizontal. Então temos um anel superior de tração, que tende a puxar a estrutura para dentro, e o anel de compressão, que é o anel central, que faz o suporte da iluminação de campo. São duas estruturas que se equilibram, formando todo esse conjunto que faz a nossa estrutura em formato de cesto amazônico”, detalha Capobiango.

Fotos: Portal da Copa/Fevereiro 2014#

Membrana

O fechamento da estrutura metálica foi feito com 252 painéis, em tamanhos variados, de membrana confeccionada em teflon e fibra de vidro. São 180 na cobertura e 72 na fachada. O material garante durabilidade, resistência, incombustão, reflexão da luz solar e translucidez ao tecido.

Por ser fotossensível, a aparência da membrana é alterada pela exposição ao sol, até atingir sua cor final, que é branca. O tecido reduz o ciclo e a aderência de partículas ou sujeiras na superfície da membrana, o que a torna autolimpante, diminuindo a necessidade de manutenção. A reflexão da luz, entre 65% e 75%, ajuda a manter uma temperatura amena sob a área coberta e a translucidez, entre 4% e 22%, permite economia de energia para a iluminação do estádio.

“Nós temos uma área total de membranas de 31 mil metros quadrados. A área de cobertura chega a pouco mais de 20 mil metros, não só para a vedação da arena, mas para captação da água da chuva para ser reutilizada. Ela é um tecido em fibra de vidro, bastante flexível, resistente, os operários podem andar sobre ela. A membrana ajuda também em algumas pontuações para obter a certificação LEED da arena. Ela permite a entrada da luz solar por mais tempo, evitando que nós tenhamos que usar a luz artificial mais cedo e, ao mesmo tempo, ela tem um caráter de beleza”, disse Capobiango.

Mais de cem pessoas trabalharam diretamente na montagem dos painéis durante um período de três meses. Com o fim da instalação da membrana, as abas dos painéis foram parafusadas na estrutura metálica.

Iluminação

Posicionados no anel central da cobertura da Arena da Amazônia, os 420 refletores para a iluminação de campo neutralizam qualquer tipo de sombreamento no gramado e proporcionam luz homogênea. A potência de cada refletor é de aproximadamente dois mil watts. Para iluminar as arquibancadas foram fixados 106 conjuntos de luminárias na cobertura, enquanto 160 refletores estão direcionados para a fachada.

“A iluminação é de dentro para fora, a arena brilha. Ela é iluminada por dentro, tem projetores de fachada e tem projetores de cobertura. Por esse caráter, vai ser possível ver toda a estrutura, inclusive, as terças de tração das membranas, que vão estar bem aparentes, visíveis, formando todo um conjunto bastante interessante”, descreve Capobiango.

Para facilitar o acesso dos torcedores, 72 postes foram instalados na esplanada e outros 72 conjuntos de projetores foram colocados na fachada, além das luminárias embutidas nos muros.

Manaus - Arena da Amazônia - Imagens aéreas - Fevereiro de 2014

Manaus - Arena da Amazônia - Imagens aéreas - Fevereiro de 2014

Manaus - Arena da Amazônia - Detalhes - Fevereiro de 2014

Manaus - Arena da Amazônia - Detalhes - Fevereiro de 2014

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Gabriel Fialho - Portal da Copa

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