500 dias para a Copa: presidente da Infraero comenta avanços nos aeroportos

28/01/2013 - 00:24
"Temos hoje diversos aeroportos prontos e outros em obras. Quando chegarmos a junho de 2014, poderemos receber os passageiros, internos ou externos, com a qualidade que eles merecem"

A aviação civil enfrenta demanda crescente há alguns anos, o que motivou o planejamento de ampliação e reforma de diversos aeroportos do país. Para Gustavo do Vale, presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o trabalho que teve início em 2009 está dentro do cronograma a 500 dias da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Segundo informações da Infraero, a capacidade atual de nove dos 13 aeroportos relacionados à Copa, excluindo Guarulhos, Brasília, Viracopos e São Gonçalo do Amarante, que foram concedidos, é de 93,3 milhões de passageiros por ano. A demanda projetada para 2014, que inclui o movimento da Copa, está estimada em 79,7 milhões de passageiros nesses nove terminais. Apesar de os números indicarem que os aeroportos já são capazes de suportar a demanda, a estimativa é de que esses aeroportos tenham capacidade para 147,4 milhões de passageiros por ano em 2014, isso sem falar nos terminais que foram concedidos, que também passam por serviços de reforma e expansão. Com investimentos de R$ 6,2 bilhões, entre recursos privados e públicos, a expectativa é de que os passageiros tenham um atendimento eficiente na Copa das Confederações e que as obras estejam concluídas para o Mundial.

 

Crescimento da demanda

O trabalho que começou ainda em 2009 está bem adiantado. As ampliações e reformas são para atender a demanda que cada vez cresce mais pela aviação civil brasileira. Esse é o motivo fundamental de todos os empreendimentos, tanto do ponto de vista da infraestrutura – pistas, pátios, terminais de carga – como de terminais de passageiros. Temos hoje diversos aeroportos prontos e outros em obras. Quando chegarmos a junho de 2014, poderemos receber os passageiros, internos ou  externos, com a qualidade que eles merecem.

Agilidade no atendimento

Além da capacidade para atender a demanda, há todo um trabalho de adequação, de atendimento ao passageiro, de modo que ele possa chegar ao aeroporto e sair de forma rápida e eficiente. Isso não envolve só a Infraero, mas todas as autoridades que atuam no aeroporto, como Receita Federal, Anvisa, Polícia Federal e as companhias aéreas. Todos esse entes têm um trabalho conjunto, que já visa a Copa das Confederações, em junho, quando será o nosso grande treinamento. Vamos mostrar ao Brasil que somos capazes, porque a gente aprendeu que não basta falar como estão as obras, temos que demonstrar que somos capazes de receber grandes eventos, como fizemos na Rio +20, onde não tivemos problema algum. Das seis sedes das Confederações, só Brasília não pertence à Infraero, mas posso garantir que os aeroportos estarão prontinhos para o evento. Evidentemente que as obras não estarão completas, porque serão concluídas no fim de 2013 e início de 2014, de modo que quando chegar a Copa do Mundo tudo estará pronto.

Investimentos

São R$ 3,2 bilhões de recursos públicos mais R$ 3 bilhões de recursos privados, nos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, concedidos à iniciativa privada. Nos nossos aeroportos, temos todo tipo de atividades. Temos o caso de Manaus, que está sendo completamente mudado. Será um novo aeroporto, que não vai lembrar em absoluto o atual. Temos o caso de Salvador, em que não temos necessidade de ampliação da capacidade. É somente dar mais conforto, ou seja, que ele tenha instalações modernas. No caso de Curitiba, uma extensão. No caso de Confins, além de toda a modernização do terminal atual, teremos a construção de um outro, para que possa atender as pessoas da melhor forma possível. Então, evidentemente que as pessoas nesse momento estão notando as obras, mas brevemente verão as melhorias.  Muitos equipamentos, seja dos aeroportos antigos ou dos  novos, como escadas rolantes, elevadores, estão sendo trocados. No Galeão, por exemplo, trocamos 48 elevadores. As pessoas vão notando aos poucos, tanto do ponto de vista do planejamento aeroportuário quanto do ponto de vista das obras. Dentro desse conceito, estamos ampliando os pátios de aeronaves, já que uma das grandes demandas que virão da Copa são aviões de pequeno porte, executivos e charter. Estamos aumentando os pátios e, nos aeroportos necessários, ampliando e modernizando as pistas de rolagem, inclusive colocando equipamentos que possam fazer com que os aviões desçam mesmo em condições adversas.

Aeroporto em Natal

São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, é um aeroporto que foi concedido. A responsabilidade da Infraero é a entrega da pista de rolamento, que já está pronta, e as demais obras são do concessionário. O que podemos dizer é que, caso haja algum problema, tanto na via de acesso quanto na construção de São Gonçalo do Amarante, o nosso aeroporto, o Augusto Severo, de Natal, já está pronto para a Copa do Mundo, já é capaz de atender a demanda. Então não nos preocupa a questão de Natal sob esse ponto de vista.

Foto: Danilo Borges/Frame de vídeo/Portal da Copa#

Transições para concessionárias

Nos últimos dias 14 e 15 de novembro transferimos Campinas e Guarulhos e, em 29 de novembro, Brasília. Foi feito de forma absolutamente normal, não tivemos problema algum. Os três aeroportos, hoje, já são administrados pelos concessionários privados. Evidentemente que ainda existem funcionários da Infraero nesses aeroportos, porque o plano de transição previa que nos primeiros três meses, que se encerraram em novembro, a Infraero operasse sob a supervisão dos entes privados, e nos três meses restantes, de novembro a fevereiro, o ente privado, a concessionária, administra o aeroporto com a supervisão da Infraero. Então temos, ainda, funcionários que irão até fevereiro, mas eu não tenho preocupação com a transição. Eu gostaria de dizer até que ela foi feita de forma profissional, tanto do ponto de vista da Infraero quanto do ponto de vista dos concessionários.

Troca de experiências

É cedo para se falar ainda em transferência ou em absorção de novas tecnologias, mas sem dúvida as concessionárias têm uma visão de negócio, vamos dizer, diferente do que a gente tem. Temos aprendido com eles, como também temos ensinado. Acho que o mais importante é que a Infraero tem hoje concorrentes à altura e vai ser obrigada a mostrar ao mercado como um todo que consegue competir em igualdade de condições. Eu tenho certeza absoluta de que a concessão dos aeroportos de Confins e do Galeão (o leilão está previsto para o segundo semestre) terá o mesmo destino, de forma que possamos, ao fim do processo, ter uma Infraero mãe e a Infraero Serviços. Dentro do projeto da Presidência da República e da Secretaria de Aviação Civil de expansão da aviação civil brasileira para os aeroportos regionais, acho que a Infraero Serviços tem um grande papel a desenvolver, como operador aeroportuário e como consultoria mesmo, mostrando a estados e municípios a melhor forma de administrar os aeroportos.

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