500 dias para a Copa: presidente da Embratur fala sobre a projeção do país no exterior

28/01/2013 - 00:30
"Significa não apenas garantir a presença dos 600 mil turistas estrangeiros projetados, como garantir que este ciclo de crescimento do turismo internacional no Brasil vá além da Copa"

Dos grandes eventos que se aproximam, o Brasil vai extrair o crescimento do turismo como um dos pontos mais positivos. Além disso, a atenção gerada pela Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, pela Copa do Mundo de 2014 e pelo Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 tem tudo para aumentar cada vez mais o interesse em viagens de estrangeiros pelo país. Essas são as  opiniões de Flávio Dino, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).  Confira, na entrevista abaixo, um balanço das ações feitas pela Embratur a 500 dias para a Copa e as projeções de crescimento do movimento turístico no país.

 

Ações da Embratur

A nossa preocupação principal agora é garantir que a Copa do Mundo seja um sucesso do ponto de vista turístico. Isso significa não apenas garantir a presença dos 600 mil turistas estrangeiros projetados, como também garantir que este ciclo de crescimento do turismo internacional no Brasil vá além da Copa. O investimento que estamos fazendo é para, em primeiro lugar, mostrar os preparativos do Brasil e demonstrar que estamos, sim, aptos a sediar a Copa do Mundo com êxito. Ao mesmo tempo, buscamos dialogar intensamente com os operadores de turismo e agentes de viagem, mostrando as oportunidades de negócios que a Copa traz e apresentando os atrativos turísticos do Brasil. Nós estamos fazendo isso por intermédio dos nossos instrumentos tradicionais de atuação nos mercados internacionais – mídia digital, relações públicas e publicidade – e também mediante um ciclo próprio de eventos, chamado Goal to Brasil, que envolveu mais de mil agentes de viagem e operadores de todos os continentes. 

Consequência positiva para a economia

A conjugação de todos esses esforços - alcançando o trade turístico, o público final (os turistas potenciais) e também os formadores de opinião, sobretudo os jornalistas – vai garantir que tenhamos um ótimo público na Copa. Poderemos extrair desse momento o crescimento do turismo como uma consequência positiva para a economia brasileira e para o povo brasileiro, com a manutenção do ciclo de atenção, de observação e de interesse que o Brasil tem hoje.

Diversidade turística

Como somos um país extenso geograficamente, temos atrativos turísticos para todos os públicos.  Seja aqueles que se interessam mais por ecoturismo e turismo de aventura; no segmento sol e praia, no qual o Brasil é reconhecido mundialmente; mas também no turismo cultural. Pelo fato de a Copa ter 12 cidades-sede, abre-se a possibilidade de apresentarmos aos turistas potenciais esse cardápio completo que o Brasil representa.

Mercados prioritários

A Embratur, hoje, atua em mais de 100 países, sobretudo com ações de mídias digitais e relações públicas. No entanto, o foco principal está em 18 mercados prioritários. Nós temos os mercados de proximidade, nossos vizinhos, que são os países da América do Sul; as Américas de um modo geral; aqueles tradicionais emissores de turistas para o Brasil na Europa, com os quais mantemos relações seculares, como Portugal, Espanha, Itália Alemanha, Inglaterra e Holanda; e acrescentamos, em 2012, o Canadá e o México – esse último, em razão de ser um público aficionado por futebol e ter sido o país que, em 2010, mais enviou turistas para a África do Sul –; e, em 2013, incluímos a Rússia. Os prioritários são 18 países nos quais nós atuamos plenamente, com todo nosso arsenal de instrumentos para divulgar o país. Nesse instante, do ponto de vista tático, buscamos nos mercados uma maior atratividade do Brasil a partir dessa janela de oportunidades aberta pela possibilidade de sediar esse fantástico ciclo de megaeventos.

Perfil dos viajantes

Fizemos um estudo na Copa da África do Sul e conduzimos uma pesquisa para descobrir qual era o perfil de público ali presente. Esperamos que, no Brasil, esse perfil seja ainda mais amplo. Além de jovens  homens, esperamos ter também famílias. É uma meta estratégica que nós perseguimos porque isso atende melhor a finalidade de confraternização que o evento tem. Do ponto de vista econômico, é o perfil de turista que a gente busca. Sobretudo dos países vizinhos, que são as fontes de onde podem vir grandes contingentes de turistas capazes de fazer com que o Brasil alcance o seu objetivo de ter uma fatia no mercado turístico internacional que equivalha a pelo menos 1%. Tenho muita confiança que, em 2016, nós alcançaremos um lugar no mercado turístico internacional mais compatível com as potencialidades e as grandes virtudes que o Brasil e o nosso povo têm.

Foto: Danilo Borges/Frame de vídeo/Portal da Copa#

Evolução do turismo

Nós precisamos fazer com que os ganhos de infraestrutura sejam tangíveis, sejam de fato concretizados, não só alcançando portos e aeroportos, mas também a qualificação da nossa rede hoteleira e dos recursos humanos. São três as vertentes principais. A primeira é a atenção, ou seja, o mundo olhar para o Brasil, isso já foi alcançado há alguns anos pelos nossos êxitos econômicos e sociais, pela diplomacia presidencial exercida com muita competência pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma. O segundo momento é garantir que a infraestrutura seja capaz de suprir essas expectativas geradas. E o terceiro passo é garantir a chamada competitividade, ou seja, nós precisamos com que as pessoas que venham ao Brasil encontrem bons serviços a preços justos. Esses são os principais desafios nesse momento para garantir o crescimento sustentável do turismo. Que esse período de 2013 até 2016 não seja um hiato ou uma história de dificuldades, e, sim, uma espécie de trampolim que propulsione o turismo para produzir frutos e resultados para todo o povo brasileiro. Por isso, esse é um investimento de grande importância, não só para os eventos em si, mas sobretudo para nossa nação e para a meta de elevar a qualidade de vida do nosso povo.

Legado turístico dos eventos

Nós estamos montando toda uma estratégia para fazer com que os turistas sejam bem acolhidos. Foi assim na Rio+20 [a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2012, no Rio de Janeiro], com grande êxito. Nós fizemos uma pesquisa ao final da conferência que mostrou que 95% dos membros de delegações e da imprensa internacional que nos visitaram, perguntados se gostariam de voltar ao Brasil, responderam positivamente. Nós fizemos todo um trabalho de acolhida em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a Prefeitura do Rio e seus órgãos de turismo. É mais ou menos esse modelo  que nós vamos implementar na Copa das Confederações, embora seja um evento cujo público será marcadamente nacional. Teremos a Jornada Mundial da Juventude – aí, sim, com uma grande presença de estrangeiros, no meio do ano, no Rio de Janeiro -, e depois o grande evento que é a Copa do Mundo em 12 cidades-sede.

Ações para o turismo

Por intermédio do Ministério do Turismo, nós estamos fazendo cerca de 400 intervenções. Essencialmente no que se refere à acessibilidade, inclusive, porque o Brasil vai sediar os Jogos Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Também temos os Centros de Atendimento aos Turistas (CAT) para propiciar uma boa rede, com capilaridade. A qualificação da mão-de-obra está em curso com o Pronatec Copa, para elevar a qualidade dos nossos serviços, inclusive superando a barreira do domínio de outros idiomas por parcelas mais largas da sociedade brasileira.

Características dos brasileiros

Nós somos um país moderno, com uma boa infraestrutura, e temos características que nos são muito caras, longe de serem estigmatizantes. Temos que procurar vê-las como positivas, sobretudo essa característica da alma brasileira. Esse espírito do nosso país, tenho certeza, vai ser um elemento a mais que vai garantir um grande sucesso na Copa.

Goal to Brasil

Nós vamos finalizar os Goal to Brasil antes da Copa das Confederações, vamos cumprir a nossa meta nos 13 mercados, gerando centenas de notícias sobre esses eventos, levando as cidades, a gastronomia, as atrações culturais, oferecendo um aperitivo do que será a Copa do Mundo. Nós vamos continuar o projeto após a Jornada Mundial da Juventude, alcançando o segundo ciclo de promoção turística internacional, quando vamos realizar vivências brasileiras mais amplas, envolvendo todo o país, não apenas as cidades-sede da Copa. É a ideia de incentivar que os turistas viajem para outros pontos do território nacional antes, durante e sobretudo depois do evento.

Aumento do fluxo de turistas

Nós já estamos, ano a ano, alcançando recordes. Eu atribuo isso muito ao fato de nós termos hoje essa condição de país que vai sediar os maiores eventos do planeta. Estamos agora disputando a oportunidade de sediar a Expo2020 em São Paulo, que seria o coroamento de todos os principais eventos esportivos, religiosos e ambientais do planeta. A ano de 2013, com certeza, será melhor que 2012. E 2014 será o ano em que nós daremos um grande salto adiante pela presença dos 600 mil turistas estrangeiros durante os 30 dias da Copa. No ano inteiro, devemos chegar a algo próximo de 7 milhões de turistas estrangeiros. Nós fechamos 2012 com ingressos de divisas do turismo internacional na ordem de US$ 6,6 bilhões. Em 2013, vamos alcançar a casa dos US$ 7 bilhões. Com isso, dá para imaginar que no ano de 2014 nós vamos chegar a algo em torno de US$ 8 bilhões no ano oriundo do turismo internacional.

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Portal da Copa

 

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