500 dias para a Copa: ministro da Saúde explica principais linhas de trabalho da área

28/01/2013 - 00:35
"Teremos um centro integrado de operações de saúde com monitoramento permanente, não só nos grandes prontos-socorros, mas nas UPAs 24 horas e nos serviços do Samu. O primeiro teste vai ser na Copa das Confederações"

O grande número de pessoas que vai circular pelo Brasil e se concentrar nas cidades-sede é o principal ponto de atenção do Ministério da Saúde para a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Para evitar riscos tanto à população quanto aos turistas, as ações serão divididas em diferentes frentes, incluindo o controle de entrada de pessoas e produtos estrangeiros no país, a vigilância em portos, aeroportos, rodoviárias e estradas, um plano de reestruturação da rede de saúde e a expansão dos serviços das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).  A 500 dias da Copa, o ministro Alexandre Padilha também afirma que as experiências adquiridas em cooperações internacionais e na realização de festas populares como o Carnaval foram fundamentais para a preparação do país.  

 

Controle de doenças

A primeira preocupação que o Ministério da Saúde tem e vai estar atento é a possibilidade de turistas que vêm de fora trazerem doenças que estão bem controladas no Brasil por conta da vacinação. Bons exemplos são rubéola e sarampo. Vamos reforçar a orientação para os turistas e reforçar o bloqueio na população brasileira, com especial atenção aos profissionais que atuam na hotelaria, em restaurantes ou trabalhadores e voluntários que vão atuar nos eventos. E também reforçar a orientação para os turistas que venham em relação às medidas de controle de quem vem para o Brasil. Entre elas, a vacina da febre amarela, que qualquer turista tem de tomar dez dias antes de chegar. Nós teremos um guia para o viajante em várias línguas e uma área específica no site do Ministério da Saúde que esse turista pode consultar, não só da rede pública, mas também da rede privada. A Agência Nacional de Saúde Suplementar terá um guia específico, até porque a grande maioria dos viajantes vem com seguro saúde, com uma parte já garantida de atendimento na saúde suplementar.

Experiência em outros grandes eventos

Nós já estamos preparados. O setor da saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, organiza uma rede de atendimento para grandes eventos no Brasil que atraem esse volume de 600 mil turistas para uma cidade, como o carnaval de Salvador, o carnaval de Recife, o do Rio de Janeiro. Então, já temos simulações de como rapidamente montar um serviço de urgência e emergência para dar conta dessa necessidade.

Testes durante o carnaval de 2013

O Sistema Único de Saúde aprendeu muito com as experiências que nós já tivemos de eventos como esse, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Militares, e os eventos-teste que realizamos, como o Galo da Madrugada, o Festival de Parintins. Aprendemos muito com a experiência que estamos fazendo de cooperação internacional, bilateral, com o sistema nacional público inglês. No carnaval de 2013, vamos fazer a simulação da rede de urgência e emergência, não só no Galo da Madrugada, mas em todo o corredor de Salvador, no Rio de Janeiro, inclusive testando tecnologias novas de deslocamento, de adaptação de centros para pequenas cirurgias no local de diversão, de organização de unidades de pronto atendimento, como se fossem UPAs 24 horas móveis, o reforço das equipes do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e uma forte integração com a saúde privada.

Centro integrado na Copa das Confederações

Nós teremos um centro integrado das operações de saúde de todas as cidades-sede da Copa. É um centro específico da área da saúde, com sede em Brasília, com monitoramento permanente, sistema de informação implantado não só nos grandes prontos-socorros dessas cidades, mas nas UPAs 24 horas e nos serviços do SAMU, com acompanhamento permanente por parte de pessoas do Ministério da Saúde e da Força Nacional do SUS. O primeiro teste vai ser na Copa das Confederações, em que esse centro vai funcionar de forma integrada e, a partir daí, vai ser permanente a integração até a Copa. O Sistema Único de Saúde estará preparado para absorver a demanda que vai existir, até porque algumas dessas cidades já estão acostumadas a grandes eventos, que atraem, inclusive, um número maior de pessoas num período, às vezes, mais curto ainda.

Dupla missão para a Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é ligada ao Ministério da Saúde, está seguindo recomendações e regras que outros países já tomaram em grandes eventos como esse. A Anvisa terá papel fundamental em duas ações. A primeira é em relação à entrada dos produtos no Brasil. Tem uma série de produtos, como perfumes, cosméticos, alimentos, medicamentos, materiais médicos, hospitalares, que existe uma exigência, como se fosse uma licença de importação. No caso de grandes eventos, estabelecemos uma regra que permite a entrada desses produtos. Isso desde que um responsável pela comitiva, pela delegação, protocole 30 dias antes na coordenação da Anvisa, que fica lá no porto e no aeroporto específico, a lista dos produtos que vai entrar no país, desde que seja um quantitativo compatível com o uso pessoal dos atletas, da delegação, que não pareça um quantitativo que possa permitir a venda ou a comercialização no mercado brasileiro. Obviamente que produtos que são ilegais no Brasil, como drogas, medicamentos ilegais, não serão permitidos. Outra iniciativa importante da Anvisa é a orientação que ela já faz hoje para as vigilâncias estaduais, municipais, em parceria com o Sebrae e com as agências de fomento, para o apoio aos estabelecimentos alimentares, restaurantes, pequenos bares, os chamados camelôs, o cachorro quente da frente do estádio, o que a gente chama de pernil grego, o sanduíche, ou seja, regras desses estabelecimentos para uma boa oferta de produtos de qualidade, que não sejam nocivos à saúde. Essa experiência já é bastante desenvolvida em algumas cidades, sobretudo em grandes eventos, como o carnaval.

Foto: Danilo Borges/Frame de vídeo/Portal da Copa#

Força nacional do SUS

Outra ferramenta importante foi a Força Nacional do SUS, criada pelo Ministério da Saúde em 2011, que hoje é um grupo de profissionais que podem ser mobilizados para situações específicas. Eles são treinados, por exemplo, para grandes eventos, para situação de desastres, catástrofes, e serão mobilizados durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas para reforçar as equipes dessas cidades. Assim vamos ter mais médicos, mais profissionais capacitados para reforçar os profissionais de saúde que já existem nessas cidades da Copa.

Reestruturação da rede de saúde

Estamos com um grande plano operativo, de reestruturação e orientação da rede de saúde, sobretudo dos serviços de urgência e emergência, tanto da saúde suplementar, da rede privada, de quem tem plano de saúde, de quem tem seguro de saúde, quanto o conjunto da rede pública. O turista da Copa é um turista que vai ficar por um período curto no Brasil. Então, o fundamental é ter o que chamamos de pronto atendimento: se acontecer alguma situação específica, algum mal-estar, que precise de rápida resolução. A organização dessa rede de urgência e emergência é a prioridade do Ministério da Saúde em relação à rede pública, para o atendimento desses turistas. Para isso, desde 2011 montamos um grupo permanente com estados e municípios. Ao longo desses anos, realizamos testes de simulação da organização dessa rede.

Agências de vigilância

Teremos uma parceria com as agências de vigilância em saúde, dos estados e municípios, que nos ajudarão a fazer as ações nas estradas, nas rodoviárias, nos portos, nos aeroportos e, com isso, poder monitorar situações específicas. Na época em que os eventos vão acontecer, época que é inverno no Brasil, a preocupação é de ampla cobertura de vacinação, da vacina contra a gripe, para influenza, na nossa população. Foi fechado um grande plano nacional de vigilância em saúde, que segue as regras internacionais. Desde 2011, firmamos parcerias, por exemplo, com o sistema nacional de saúde inglês, que se organizou para as Olimpíadas de Londres, com um conjunto de outros países que já organizaram eventos de massa como esse. Esse plano nacional tem agora a sua versão operacional em cada estado e cidade-sede da Copa, para que a gente possa ter uma forte rede de vigilância para essa situação.

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Portal da Copa

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