Para marcar a data simbólica dos mil dias para a Copa do Mundo da Fifa 2014 e o lançamento do Portal da Copa, o ministro do Esporte, Orlando Silva, participou de uma Twitcam na tarde de hoje (16.09). Durante 30 minutos, ele conversou com cerca de 100 internautas. “Nossa pretensão é que o portal seja um instrumento permanente de informação, com interatividade. O Mundial no Brasil tem várias características. Uma delas é que será de última geração”, disse o ministro, que aposta na internet como ferramenta de fiscalização e controle para a população.
Com exclusividade, Orlando Silva disse durante a entrevista que serão lançados nas 12 cidades-sede da Copa programas sociais relacionados ao futebol, direcionados a jovens e crianças de comunidades carentes. A iniciativa faz parte do legado social que o evento deixará. “Isso é muito importante para dar a marca de compromisso social que o governo tem para a Copa de 2014”, ressaltou o gestor.
Obras dos estádios, aeroportos, data da abertura, infraestrutura de telecomunicações, energia, greves, superfaturamento e segurança foram outros assuntos abordados na Twitcam. Para Orlando Silva, aeroportos e estádios são os temas mais sensíveis. Conforme esclareceu aos internautas, dos 13 aeroportos, oito estão em obras e outros cinco devem começar até o fim do ano. Já entre os estádios, nove serão entregues até o fim de 2012 e os três restantes em 2013. Confira outros pontos da conversa e acompanhe a íntegra em formato audiovisual.
Onde será a abertura da Copa?
Nos dias 21 e 22 de outubro haverá uma reunião do Comitê Executivo da Fifa, em que eles poderão se posicionar em torno desses eventos. Na perspectiva governamental, no entanto, o importante é que as cidades-sede trabalhem com eficiência, dentro do cronograma. O foco nosso é o trabalho para que as cidades estejam prontas. Os argumentos de todas são bons. Salvador alega que foi a primeira capital. O Rio, a segunda. Brasília, a atual. E São Paulo diz que é a capital econômica. Uma das quatro seguramente será a escolhida.
Doze cidades não é demais?
No Brasil optamos por escolher 12 cidades-sede. Evidente que, com 12, temos algumas com forte tradição no futebol e outras com menos. Mas realizar a Copa em muitos desse lugares repercute de forma significativa para o desenvolvimento regional. Muito se fala de Cuiabá, Brasília e Manaus. Mas como fazer uma Copa sem a Amazônia, sem Manaus, sem o Pantanal? Em muitos casos, as arenas também servirão para desenvolver o futebol local. No caso de Manaus, por exemplo, a arena está conectada à festa de Parintins, evento importante na economia local.
Obras da Copa servirão para Olimpíadas?
Sim. Quase tudo nas Olimpíadas acontecerá no Rio de Janeiro (que também é cidade-sede da Copa de 2014), mas haverá jogos de futebol também em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador. Pelo menos cinco arenas serão aproveitadas nos Jogos Olímpicos.
Como as áreas de saúde e educação podem ser beneficiadas?
Dentro da estrutura de governança da Copa nós temos as Câmaras Temáticas. São nove. Elas aprofundam temas específicos. Tem uma delas, por exemplo, com um trabalho muito bacana, que é a de sustentabilidade. Eles já conseguiram, entre outros aspectos, exigir contrapartidas ambientalmente corretas para financiamentos com o BNDES. Assim, todas as arenas terão certificação. Isso significa que farão captação de energia solar e reaproveitamento de água, além de outras exigências. A Câmara de desenvolvimento turístico já definiu 65 destinos prioritários e traçou planos. E uma dessas nove é a de ação social, educação e cultura, coordenada pelo Ministério da Cultura. Há idéias sendo trabalhadas, como o estímulo de campanhas educativas nas escolas e concursos de redação. O público das escolas é uma base importante de mobilização para o voluntariado, que repercute na formação das pessoas.
O que o governo pretende com o Portal da Copa?
O portal é do governo federal. Não apenas expressa informações e dados, mas envolve outros órgãos. Queremos que, inclusive, agregue outros parceiros, que funcione como instrumento de comunicação com a sociedade. A interatividade também é importante para a construção da Copa no governo. Queremos no Brasil uma copa de última geração em várias dimensões. Inclusive nas redes sociais.
Como conter superfaturamentos?
Um dos melhores é a concorrência. Fala-se sobre a polêmica sobre o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), mas ele foi votado na Câmara e no Senado e simplifica licitações e amplia concorrência. Um exemplo: a internet e pregão eletrônico. São mecanismos que estimulam uma concorrência mais forte e reduzem preço. O RDC amplia as possibilidades de pregão. E inclusive pode impedir que empresas acertem o preço antes da concorrência. Assim, inibe o abuso de preço. O segundo mecanismo é a transparência. A publicidade de todas as concorrências. A realização de bons projetos. Às vezes, há uma angústia com prazo e demora no início da obra. Mas muitas vezes é melhor gastar tempo antes de licitar, porque assim a licitação acontece com valores próximos do praticado. O rapidinho pode significar inconsistência e aumento de preço.
Greves preocupam a entrega das obras?
Acredito que, quando o mundo nos observar em 2014, vai encontrar um país incrível, com diversidade cultural, economia diversificada, com capacidade de inovação e democrático. Aqui temos liberdade de formação sindical. Por isso, respeitamos as manifestações. O que acreditamos é que os empresários não podem perder o canal de diálogo. Podem ter certeza que os operários são tão interessados quanto o governo em entregar as obras no prazo. Mas eles têm suas reivindicações, e muitas delas são justas. Esses são os caminhos normais de processamento. Por isso, não me surpreendo com as últimas greves nem com as futuras.
Como torcedor, o senhor acha que a seleção ficará pronta a tempo para a Copa?
Eu aposto no time do Brasil. Temos uma geração incrível, com Neymar e Ganso. Lucas. Leandro Damião. Oscar. Casemiro. O Brasil se mostra um celeiro de craques. E mais: a economia do futebol está crescendo. Hoje os clubes arrecadam mais. Mantêm craques por mais tempo. A resultante disso pode ser uma equipe forte. E o Mano (Menezes, técnico da seleção) está consciente de que não bastarão talentos individuais. Tem de ter uma uma equipe. Nesse sentido, estou alinhado com ele. Talentos, temos muitos. A seleção é uma obra aberta. Está sendo construída, preparada. Fico feliz de observar.
Como lida, no dia a dia, com a responsabilidade do cargo?
Eu durmo cada dia menos porque é importante cada dia mais ter mais atenção na preparação. Mas mantenho hábitos de quando não era ministro. Moro na mesma casa, vou nos mesmos restaurantes, compro jornal na mesma banca. Isso me ajuda a sentir o mundo das ruas. Sinto a pressão. Às vezes na padaria, no café, percebo nas conversar uma apreensão, um interesse, uma ansiedade para o Brasil fazer um grande mundial.
Anna Bernardes e Gustavo Cunha – Portal da Copa
