Em evento, cidades-sede reforçam compromisso ambiental e destacam investimentos

29/11/2011 - 02:02
Representantes de 11 das 12 apresentaram atualizações da preparação para o Mundial durante evento da Soccerex, no Rio de Janeiro

Compromisso ambiental e antecipação de investimentos para resolver problemas atuais das cidades-sede. Essa foi a tônica das apresentações das cidades-sede durante a Soccerex, feira de negócios e futebol, na tarde desta segunda-feira (28.11), no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Outro ponto comum às 11 cidades-sede - Natal foi a única que não participou - é a preocupação com o legado.

Todos os projetos buscam certificação ambiental para a construção das arenas. Entre as medidas comuns à maioria estão a reciclagem de materiais de demolição, confecção de peças pré-moldadas nos canteiros  de obra e aspersão de água para diminuir a poeira. Com os estádios prontos, as características são captação de água da chuva, gestão de eletricidade e uso de células fotovoltaicas para aproveitar a luz do sol para gerar energia.

Rio de Janeiro
Fotos: Tiago Falqueiro# A secretária de Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro, Márcia Lins, foi a primeira a  apresentar os avanços nas obras do Maracanã e a atualização nas intervenções de mobilidade urbana. "Não falamos em reforma, mas em reconstrução do estádio, que vai modernizá-lo. O Wembley, por exemplo, em Londres, foi reformado em 2007, e já não atenderia às exigências da FIFA", detalhou.

Segundo a secretária, a terraplanagem está 80% concluída. As demolições, 90%, e as fundações, 60%. "Tivemos um problema com a cobertura, então foi preciso demolir essa parte por completo. Algumas etapas tiveram que esperar", explica. A instalação das lajes da nova arquibancada deverá terminar em dezembro de 2011, e, em junho de 2012, será concluído o anel inferior.

Salvador
O secretário extraordinário para Assuntos da Copa da Bahia, Ney Campello, falou da importância da reforma da Fonte Nova para a renovação do centro histórico de Salvador. "As obras do estádio e do entorno são instrumentos de revitalização do centro antigo. Nisso o projeto se parece com o de Londres, que também focou em uma área degradada para fazer os investimentos de um grande evento", afirmou.

Para compor o projeto, Ney destacou a construção do terminal de passageiros do porto, orçado em R$ 93 milhões. Outro investimento importante é o metrô, de R$ 1,6 bilhão. "É um meio de transporte de alta capacidade e menor impacto. Teremos a licitação no início de 2012 e a primeira etapa pronta no fim de 2013", explicou. Na Fonte Nova, segundo Campello, as obras da Fonte Nova chegaram a 35%.

Fortaleza
Já Gabrielle D'Annunzio Cavalcanti, secretário executivo da Secretaria Especial da Copa do Ceará, destacou o andamento da reforma do Castelão, que deve chegar à metade até o fim do ano. O novo estádio terá uma praça de 60 mil m² e seis acessos, com 19 entradas. "A obra é dividida em quatro etapas, o que acelera a conclusão. As etapas 1 e 2 já foram entregues e terceira e quarta estão em 37,08% e 12,07%", detalhou.

O gramado do Castelão, seguindo as recomendações da FIFA, será mais próximo do público. "Antes, o público ficava a 41 metros de distância do campo. Agora, as cadeiras ficarão a 10 metros de distância da linha lateral. Isso aumenta a visibilidade, sem pontos cegos", explicou. O estádio também teve as arquibancadas inferiores demolidas, para que a circulação seja feita sem perder o jogo de vista.

Porto Alegre
Kalil Sehbe, secretário do Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, destacou o esforço do governo em instalar as nove câmaras temáticas que debatem a organização da Copa do Mundo. "Esses encontros são essenciais para dar transparência ao processo, para assegurar que todo o gasto de dinheiro público seja em investimentos com retorno claro para para a sociedade", afirmou. Sehbe ainda falou da situação dos estádios da cidade, que serão usados durante o Mundial.

"Os dois estádios da cidade estão sendo construídos pela paixão do torcedor. A Arena Grêmio terá R$ 30 milhões em isenções e um reforço com índices construtivos maiores. O projeto, que abrigará um centro oficial de treinamento no Mundial, com o custo de R$ 400 milhões, inclui torres habitacionais e de escritórios", detalhou. "Já o Beira-Rio, do Inter, estádio escolhido pela FIFA para as partidas oficiais, custará R$ 200 milhões e tem 30% da obra concluída", disse.

São Paulo
O secretário municipal especial de Articulação para a Copa de São Paulo, Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, destacou as melhorias no transporte público para o acesso ao estádio do Corinthians, na Zona Leste da capital paulista. "No metrô, com a compra de mais trens e a diminuição do tempo entre cada um, teremos uma capacidade de tranportar 100 mil passageiros por hora, o dobro do recomendado pela FIFA", explica.

Sediar a Copa, com o reforço da partida de abertura, deve, segundo Gilmar Tadeu, ter um incremento de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da cidade. "O montante dos investimentos será superado pelos benefícios. O aumento do PIB do município deve ser de 1,5%", disse. O secretário ainda calcula um investimento de R$ 478 milhões em avenidas e acessos que ligarão o estádio ao Aeroporto de Guarulhos.

Belo Horizonte
Para Flávia Rohlfs, coordenadora executiva do Comitê Executivo Municipal das Copas de Belo Horizonte, a preparação do Mundial da cidade levou em conta, prioritariamente, o legado. "A intenção é que a menor parte dos projetos fossem apenas exigência da organização, para se aproveitar mais o volume de investimentos. Caso do Bus Rapid Transport (BRT) Antônio Carlos, que ligará o centro da cidade aos hotéis e ao estádio, servindo à competição e à população", explicou.

Outro ponto da preparação é o setor hoteleiro. "Temos falta de hotel e de qualidade no setor. Quase 75% da rede hoteleira fica ocupada o tempo todo, e chegamos perto dos 100% durante os dias de semana. Acaba que temos que rejeitar eventos. Para o Mundial, já temos 31 hotéis sendo construídos e outros 42 em estudo de viabilidade econômica. Desses, esperamos que 21 acabem saindo do papel", afirma.

Cuiabá
O representante da Cuiabá, Jefferson de Castro, secretário-adjunto da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo FIFA 2014 (Secopa) de Mato Grosso, ressaltou a importância do legado nos investimentos no estado. Um dos exemplos é a possibilidade de se reduzir a capacidade da Arena Pantanal. "A capacidade durante a Copa do Mundo será de 43 mil lugares, mas passará a 25 mil com a retirada de parte das arquibancadas superiores", disse.

Segundo Castro, as estruturas que serão retiradas dos lados Sul e Norte do estádio ainda poderão ser usadas em outros aparelhos públicos. As características ambientais do projeto também foram ressaltadas. "A obra terá gestão inteligente e sustentável. Por exemplo, teremos anteparos e pisos com reflectância, que vão impedir que se criem ilhas de calor. Para o entorno, ainda serão usadas espécies de árvores regionais no paisagismo", explicou.

Curitiba
A capital paranaense, que sediará quatro partidas da fase de grupos,reforçou a necessidade de negociação com a FIFA para a determinação do projeto da Arena da Baixada. "O aumento da cobertura em cinco metros, obrigaria o clube a trocá-la inteiramente. E isso custaria R$ 11 milhões. A troca das cadeiras ainda obrigariam a um investimento de outros R$ 11 milhões. E 25 mil cadeiras são novas", enumerou Mário Celso Cunha, secretário para Assuntos da Copa.

Segundo Cunha, o rebaixamento do gramado em dez centímetros, seria outro ponto. "Fizemos um teste, com o pessoal da FIFA presente, para mostrar que a altura do gramado não atrapalhava as placas de publicidade", disse. No turismo, o secretário tem a expectativa de que 25% dos visitantes durante o Mundial estendam sua estadia no Paraná. "Esperamos 160 mil turistas estrangeiros e outros 500 mil do Brasil", calcula.

Brasília
O assessor especial do Governo do Distrito Federal e membro do Comitê Organizador Brasília 2014, Ricardo Batista, afastou a possibilidade de que o Estádio Nacional de Brasília acabe como um elefante branco. "O estádio não será usado apenas para futebol. Em Brasília, temos shows no estacionamento de ginásio que chegam, facilmente, a 50 mil pessoas. Festas na Esplanada, por exemplo, chegam a ter 800 mil pessoas", disse.

"Além disso, em Brasília, temos uma renda per capita muito grande, cerca de três vezes a média nacional. Isso estimula a vinda de eventos de grande porte", completou.  Batista ainda deu detalhes do andamento das obras, que buscam a certificação ambiental máxima da Leeds, o selo platina. "O estádio está quase 40% pronto e devemos começar logo a lançar os pilares das arquibancadas superiores", explicou.

Recife
Gilberto Pimentel, secretário executivo da Secretaria Extraordinária da Copa de 2014 de Pernambuco, ressaltou o poder indutor da Cidade da Copa. "O projeto vai além da Arena Pernambuco. Recife tem uma área urbana reduzida, e é preciso criar um novo eixo de desenvolvimento", explicou. A área, no município de São Lourenço da Mata, fica a 19km do aeroporto e do principal setor hoteleiro da cidade.

A expectativa é de que o estádio fique pronto até o fim de 2012. "Esperamos confirmar no próximo ano a possibilidade de sediar a Copa das Confederações", afirma. A Cidade da Copa ainda terá prédios e casas residênciais, centros comerciais e uma área destinada a instalação de uma instituição de ensino. A previsão de que toda área fique pronta até 2025. "Até 2014 teremos a parte de diversão concluída, o resto ainda depende do aquecimento imobiliário".

Manaus
Já o presidente da Unidade Gestora do Projeto Copa de 2014, Miguel Capobiango, falou da importância do volume de investimentos que a cidade recebeu por conta da Copa do Mundo para áreas como a mobilidade urbana. "Somos uma das capitais que mais crescem no Brasil, o que trouxe problemas. Agora temos uma oportunidade de acelerar as soluções necessárias. É o caso da linha de energia Tucuruí, essencial para o desenvolvimento da cidade", classificou.

Outro exemplo é o monotrilho. "É um investimento vultuoso, de R$ 1,5 bilhão, que ligará o centro à área norte e à Zona Leste, a região mais carente da cidade. E a escolha do monotrilho ajudou com um número pequeno de desapropriações, que devem ficar em R$ 86 milhões", explicou. "A implementação do Bus Rapid Transport (BRT), que está orçada em R$ 231 milhões, vai agir contra o congestionamento das principais vias de Manaus, que são radiais", completou.

Tiago Falqueiro - Portal da Copa

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